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VAMOS FALAR SOBRE ESCLEROSE MÚLTIPLA

VERA PINTO
Confesso que nunca fui boa com datas, para dizer a verdade sou péssima. Se não for o lembrete do telemóvel, as notificações das redes sociais, os avisos dos mediaou mesmo alguém a alertar-me, facilmente esqueço as datas. Contudo, dada a quantidade de dias comemorativos, não me posso recriminar. “Existe sempre um dia para alguma coisa” é o desabafo conformado da generalidade das pessoas quando atacadas pela celebração constante. Desde o dia do psicólogo, enfermeiro, advogado ou farmacêutico, passando pelo dia dos namorados, sem esquecer o dia da mulher, o dia do doente existe sempre algo a ser lembrado. Hoje celebra-se o dia de uma doença crónica que pouca gente conhece. Estou a falar de esclerose múltipla. Pessoalmente considero importante que “haja sempre um dia para alguma coisa”, isto porque encaro como uma forma de sensibilização para os diversos temas, seja ele educativo, lúdico ou informativo. Muitos de vocês devem estar a perguntar-se “o que é a esclerose múltipla?”. Trata-se de uma doença sobre a qual existe um enorme desconhecimento, por isso nada melhor que aproveitar o dia 31 de Maio para aprender um pouco mais acerca dela. A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afecta o cérebro, nervos ópticos e a medula espinal, ou seja, o sistema nervoso central. Isto acontece porque o sistema imunológico do corpo confunde células saudáveis com “intrusas” e ataca-as causando lesões. O sistema imunitário do doente destrói a bainha de mielina que oferece protecção aos nervos. Os danos à mielina causam interferência na comunicação entre o cérebro, medula espinal e outras áreas do sistema nervoso central. Esta condição pode resultar na deterioração dos próprios nervos, num processo potencialmente irreversível. Ao longo do tempo, a degeneração da mielina provocada pela doença vai causando lesões no cérebro, que podem levar à atrofia ou perda de massa cerebral. Os sintomas variam amplamente, dependendo da quantidade de danos e os nervos que são afectados. A esclerose múltipla caracteriza-se por ser uma doença potencialmente debilitante. Pessoas com casos graves de esclerose múltipla podem perder a capacidade de andar ou falar claramente. Nos estágios iniciais da doença, a esclerose múltipla pode ser de difícil diagnóstico, uma vez que os sintomas aparecem com intervalos e o paciente pode ficar meses ou anos sem qualquer sinal da doença. A esclerose múltipla atinge cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo. Os tratamentos podem ajudar a controlar os sintomas e reduzir a progressão da doença, mas a doença não tem cura. Apesar deste terrível cenário desistir não é opção. Viver com esclerose múltipla é viver com a incerteza múltipla. “Planear algo é sempre complicado” confessam os doentes, mas pensando bem existirá alguém com uma certeza absoluta?

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