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BIRD Magazine

O FOGO QUE NOS DEVASTA

ELISABETE SALRETA
Como não podia deixar de ser, vim expressar o que sinto nestes dias de agonia.
Quem me segue, sabe que defendo sempre os animais, crianças e as mulheres vítimas. Hoje, não vai ser diferente
Passando pelos textos em que as histórias são contadas na primeira pessoa, tendo sempre a negritude como companheira, saltam-me à vista os apontamentos de coragem para os que nada têm além de si próprios. Muitas famílias ficaram sem os seus haveres, muitos perderam até a vida. Mas muitos, mesmo em desespero, conseguiram ter a humildade de pensar em outras vidas. No vizinho que ajudaram deixando as desavenças para mais tarde e nos animais. Seus, e do vizinho. Lamentam-se as vidas humanas perdidas. Eu lamento todas as vidas. Principalmente as vidas que nunca vão pertencer a uma contagem ou estatística, porque ninguém a faz. Lembro-me daquela senhora que acolheu um borrachinho de pombo selvagem e que ao perguntar nas redes sociais como melhor o havia de tratar, logo alguém se insurgiu com possíveis ilegalidades e outras respostas sem qualquer cabimento. Do que interessam as ilegalidades quando se trata de salvar uma vida? Não valerá tão mais a pena ficar com a doce lembrança do dever cumprido por ter servido da forma mais generosa do que o salvar de uma vida. O resto, o resto trata-se no dia seguinte.
Lembro-me do vizinho que soltou as vacas que estavam presas e no final, foram os únicos animais que se salvaram. E leva-nos a pensar na agonia dos que por egoísmo e incúria não tiveram a sorte de serem soltos e pereceram dramaticamente. Lembro-me do cão cuja família humana não resistiu, mas ele sim, embora estivesse com uma coleira ao pescoço, cumprindo uma pena que não é sua. Mais um egoísmo humano.
Lembro-me de todos os animais das florestas que tiveram um fim horrendo e que continuam pelas terras fora, queimadas, estéreis de vida, agonizando, sem que ninguém lhes valha.
Sim, existem clinicas veterinárias que abriram as suas portas para cuidar das vítimas não humanas. Mas claro, aparecerão por lá gatos, cães e talvez um ou outro coelho de estimação. E os outros? Aqueles de quem ninguém fala, que ninguém procura e que não têm voz?
Caminheiros, associações ambientais, unam-se e procurem-nos. Afinal, ninguém mais o fará.
Quero ver os vossos feitos nas redes sociais. Desafio-os.
Encham as notícias de histórias com valor, porque de tristeza, já tivemos o final de semana.
Estes atos de coragem devem ser enaltecidos como são tantos outros. Estes verdadeiros heróis dão de si para salvar vidas que não contam. Mas contam para quem tem coração e está num outro nível de evolução.

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