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CIDADES AMIGAS DAS PESSOAS IDOSAS (CAPI)

GABRIELA CARVALHO
Na crónica de 26.05 sobre – EA: SENTIR-SE SEGURO – foi referido que:
«Cabe à sociedade, criar oportunidades e eliminar barreiras, permitindo a igualdade de acesso, tal como preconiza a Organização Mundial de Saúde ao criar em 2005 o projecto “Cidades Amigas das Pessoais Idosas (CAPI)”».
Na crónica de hoje, resume-se o que é isto de CAPI.
O envelhecimento da população e a urbanização são duas tendências globais que, em conjunto, constituem forças fundamentais que estão a moldar o século XXI.
De modo a beneficiarem do potencial que as pessoas mais velhas representam para a humanidade uma cidade amiga das pessoas idosas estimula o envelhecimento activo através da criação de:
– condições de saúde,
– participação e segurança,
Em termos práticos, uma CAPI adapta as suas estruturas e serviços de modo a que estes incluam e sejam acessíveis a pessoas mais velhas com diferentes necessidades e capacidades.
Num trabalho realizado com grupos em 33 cidades em todas as regiões da OMS, obteve-se informação para criar um guia que está dividido em 13 partes:
– A parte 1 descreve as tendências convergentes do rápido aumento da população com mais de 60 anos e da urbanização, definindo ainda os desafios com que as cidades se deparam.
– A parte 2 apresenta o conceito de “Envelhecimento activo” como um modelo para o desenvolvimento de cidades amigas das pessoas idosas
– A parte 3 explica como surgiu o guia.
– A parte 4 contém indicações sobre a forma como o guia deve ser utilizado.
– As partes 5 a 12 dão destaque às questões e preocupações expressas por pessoas mais velhas e por quem lhes presta serviços, em oito áreas da vida urbana:
* espaços exteriores e edifícios;
* transportes;
* habitação;
* participação social;
* respeito e inclusão social;
* participação cívica e emprego;
* comunicação e informação;
* apoio comunitário e serviços de saúde.
– A parte 13 apresenta os resultados concluindo sobre tudo o que é apresentado e perspectivando o futuro.
A terapia ocupacional e as Cidades Amigas das Pessoas Idosas
“A terapia ocupacional visa a melhoria da qualidade de vida do indivíduo, auxiliando-o a escolher, organizar e levar a cabo as suas actividades quotidianas. Beneficiam de terapia ocupacional aqueles que de alguma forma possuem as funções de vida diária e/ou participação social limitadas por disfunção física, disfunção psicossocial, distúrbios de desenvolvimento, distúrbios na aprendizagem, envelhecimento ou ambiente sociocultural inadequado. O terapeuta ocupacional serve-se de princípios da ciência ocupacional e de análise de actividades para determinar factores que influenciam o desempenho ocupacional do indivíduo e abordam esses factores numa perspectiva biopsicossocial. Neste sentido, o terapeuta ocupacional frequentemente utiliza adaptações no meio-ambiente, órtoteses, tecnologias de apoio e simplificação do trabalho para ajudar a pessoa a envolver-se em actividades significativas, melhorando ou prevenindo a regressão da função, de forma a manter o seu bem-estar e a sua satisfação em viver.”
Assente na premissa de que o ambiente necessita de ser transformado para que se possa promover uma optimização do desempenho das pessoas que nele se enquadram, o projecto Cidade Amiga das Pessoas Idosas vai de encontro aos fundamentos da Ciência Ocupacional e por conseguinte da terapia ocupacional.
É possível perceber que muito do que determina o envelhecimento activo e enquadra o projecto CAPI se coaduna com a filosofia da terapia ocupacional.
A terapia ocupacional tem não só os constructos teóricos necessários para um enlace perfeito com o projecto como, ao compreender e conceptualizar a pessoa segundo uma tríade ambiente, pessoa, ocupação, também consegue trazer uma mais-valia ao mesmo.
Uma das aspirações, quer do projecto quer da terapia ocupacional, é a adopção de uma nova abordagem ao design, em todos os níveis. O objectivo é criar e adaptar ambientes de forma a torná-los apelativos a todos os grupos etários, onde a integração e acesso para pessoas com deficiência e pessoas idosas seja padrão em vez de ser excepção.

“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional proporciona vida aos anos.”

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