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OS BOMBEIROS SÃO OS MEUS HERÓIS!

ARTUR COIMBRA
Nos últimos dias, por todo o país e nas redes sociais, têm-se multiplicado as manifestações de apreço pela acção humanitária dos bombeiros voluntários, na sequência dos trágicos acontecimentos de Pedrógão Grandes, que depois alastraram para Castanheira de Pera e Góis.
Mas o mesmo acontece quando ocorrem verões particularmente explosivos ao nível dos incêndios florestais, de que resultam prejuízos humanos e materiais irreparáveis. Nascem normalmente campanhas por todo o lado, as televisões promovem espectáculos, há todo um ambiente de agradecimento pelo profundo heroísmo que os “soldados da paz” evidenciam e patenteiam no quotidiano.
Infelizmente, é quase fatalismo inexorável que, ano após ano, o Verão deflagra em chamas colossais que consomem florestas sem fim, sementeiras, gados, casas, carros, vidas inteiras de trabalho e de canseiras, esperanças num futuro mais luminoso. Um inferno. Um autêntico cenário de guerra. Quando menos se espera, as nuvens de fumo elevam-se, desesperadas, e rapidamente explodem em ígneos clarões, incontroláveis, roncantes, perante os gritos dos populares, a angústia, a revolta, o pânico, a impotência. E também a morte, semeada em condições inopinadas e catastróficas, como as do passado fim de semana em Pedrógão Grande.
As sirenes irrompem dos quartéis no silêncio das vilas e cidades, de dia ou de noite. Quando o flagelo rebenta, aproveitando as altas temperaturas, a ausência de humidade, a negligência dos cidadãos, o abandono da floresta, a desorganização e a falta de limpeza das propriedades públicas e privadas. E uma inadmissível demissão do Estado a diferentes níveis, perante uma bem organizada e tentacular “indústria dos incêndios” que depaupera o país e avoluma o desastre ecológico nacional.
Gostaria de entrar neste coro urgente de louvor e gratidão aos bombeiros portugueses. Não pelas responsabilidades que tenho nos voluntários fafenses, desde há mais de oito anos, e por isso pela convivência e conhecimento mais aproximado que vou tendo do seu trabalho, mas por um dever de cidadania e de reconhecimento público aos homens e às mulheres que deixam de ter vida própria, para acorrer à vida e aos bens alheios.
Não apenas na época dos fogos florestais, normalmente nos meses de Verão, mas durante todo o ano, nas tarefas de socorro em situações de acidentes, fogos urbanos, transporte de doentes para unidades de saúde e muitas outras.
Os bombeiros são os autênticos heróis do quotidiano. Eles levantam-se todos os dias sem saber se vão comer, quando vão comer, se vão regressar a casa e rever a sua esposa, os pais, os filhos. Eles não têm descanso, não têm horas para ler o jornal, ou para tomar o café; enquanto as chamas dão luta, eles dão combate às chamas.
Saem dos quartéis a desoras e não sabem quantas horas vão permanecer no mato, quantas vezes sem água para beber, ressequidos e exaustos, a lutar pelo que não é deles, a ouvir impropérios, injúrias e má educação. Ou porque não chegaram quando as pessoas queriam, ou porque não trouxeram os meios adequados. Esquecem-se os delatores, frequentemente, que se o monte está a arder é porque eles não o limparam como deviam, é porque a prevenção – que é o passo fundamental – não foi cumprida. Alguém os deveria ter obrigado a executar as suas obrigações… 
Quando tudo falha, seja em que situação for, sobra para os bombeiros.
Os portugueses confiam plenamente nos homens que vão para o terreno – atacar um incêndio ou salvar uma vida, num acidente de viação. 
É verdade: os bombeiros são a classe social em que os cidadãos mais genuinamente acreditam. Deveriam, é certo, ser mais valorizados pelos poderes políticos, que têm ainda um longo percurso a fazer nessa área, mas essa é conversa de outro rosário.
Não me canso de exaltar o seu heroísmo, o seu voluntarismo, a sua dedicação, a sua disponibilidade permanente, seja a que hora for, do dia ou da noite. Ser bombeiro é quase uma doença. Uma boa doença, que promove missões no sentido cristão do bem-fazer sem olhar a quem, do exercício da solidariedade, da generosidade, da entrega total à defesa da vida e dos bens alheios, sem olhar a credos, a condições sociais e económicas, a opções políticas ou ideológicas. O seu paradigma é um evangelho de pensamento e acção: “Vida por Vida”, até ao sofrimento e à morte, como se vê, tragicamente, a cada passo. O inferno de Pedrógão também vitimou um bombeiro.
Bem formados, excelentemente preparados, heróis e mártires, os bombeiros são os melhores do mundo e os melhores de todos nós.
Benditos voluntários que este país tem! 
Eles são justamente credores do maior reconhecimento, respeito e solidariedade de todos os cidadãos! 
Eles merecem todas as nossas rosas, todos os nossos monumentos, todo o melhor apoio que lhes possamos outorgar!
Os bombeiros são os meus heróis!

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