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A GERINGONÇA: O GOVERNO SOCIALISTA E A ALIANÇA DE ESQUERDA

CRÓNICA DE TIAGO CORAIS
Na semana passada tive a honra de ser o principal orador da reunião geral de membros do Partido Trabalhista Britânico de Oxford. O Secretariado dos Trabalhistas de Oxford tinham uma curiosidade enorme em saber as políticas desenvolvidas pelo Governo Socialista Português e com a saída do Reino Unido da União Europeia, estavam também interessados em saber qual a posição de Portugal quanto ao BREXIT. Desta forma, o mote que dei à minha apresentação foi: <<A GERINGONÇA: O GOVERNO SOCIALISTA E A ALIANÇA DE ESQUERDA>> (<<“GERINGONÇA” (improbable contraption): THE PORTUGUESE SOCIALIST GOVERNMENT & THE LEFT ALLIANCE>>).
Introduzi a minha apresentação falando de Portugal e o Mundo, falando da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), referindo que o Português como o Inglês é uma das nossas “riquezas” e fazendo uma analogia à Commonwealth “Britânica”. Pois muita gente no Mundo não tem a noção que por exemplo em Moçambique (que também é membro da Commonwealth) a língua oficial é Português. PARA PROMOVERMOS PORTUGAL DEVEMOS COMEÇAR PELA VALORIZAÇÃO DA LUSOFONIA E DA LÍNGUA DE CAMÕES.
Na introdução referi também como fomos pioneiros na criação da Universidade de Coimbra e apesar de não ser tão antiga como a de Oxford é uma das Universidades ainda em operação mais antigas do Mundo. Mas se fomos um dos Países pioneiros na aposta do conhecimento, a verdade é que não fomos consistentes nesta aposta e as segundas Universidades criadas em Portugal (a de Lisboa e a do Porto) só foram criadas passados 621 anos, em 1911 na Primeira República. Salientei que ainda há relativamente poucos anos éramos um país governado por uma Ditadura, falei do “25 de Abril”, do nosso sistema político, do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) que é inspirado no modelo Britânico e da nossa entrada à União Europeia. Terminei a introdução com indicadores que comparam o nosso País em ditadura e o legado da Democracia e da nossa entrada na UE. Ao longo destes 42 anos em Democracia e como membros da UE aproximamo-nos muito da Europa desenvolvida, passamos de menos de 1% de licenciados na década de 70 para 24% muito próximo da média na UE que é de 31%. Por exemplo, na mortalidade infantil fomos capazes de ter resultados ao nível do terceiro Mundo para estarmos entre os melhores do Mundo! A APOSTA NA SAÚDE, NO CONHECIMENTO E NA EDUCAÇÃO FORAM UMA APOSTA GANHA DA NOSSA DEMOCRACIA E SERÁ O QUE NOS GARANTIRÁ O NOSSO FUTURO.
A segunda fase da minha intervenção foi contextualizar a “Geringonça”, falando do “Programa de Ajustamento” entre 2011-2014 e a dimensão das percas para Portugal. Um dos temas que me emocionei foi quando falei da privatização da EDP, empresa que durante 70 anos o Estado Português investiu, bastante lucrativas e que segundo o Tribunal de contas em 2015, os dividendos anuais da EDP e da REN renderiam, a longo prazo, muito mais que a sua venda. Foi um crime e uma contradição dos fundamentalistas da “livre concorrência” que não gostam do Estado “dono” de Empresas Públicas, mas não se importam de vendê-las a uma empresa estatal Chinesa. Infelizmente cometeu-se um crime sob a cumplicidade da Troika e de um Governo que nesta situação não soube defender os nossos interesses. O empobrecimento prometido foi alcançado e durante este programa perdeu-se cerca de 2% da sua população, a sua maioria jovens que emigraram. Expliquei depois como o impossível aconteceu, a Esquerda soube entender o estado de emergência em que estávamos. Se não fossemos capazes de nos entendermos no essencial seria o próprio Estado Social, o nosso SNS, a nossa Escola Pública, a segurança social que estariam em causa. Partilhei alguns dados que demonstram como um caminho diferente da austeridade é possível, como um Governo com uma abordagem Keynesiana pode ter resultados e transformaram a “Gerigonça” num caso de estudo em França, em Espanha, na Holanda e no próprio Reino Unido. A lição que temos que aprender como povo depois deste programa de ajustamento é que mesmo nas situações difíceis, como estávamos, TEMOS QUE SABER DEFENDER OS NOSSOS INTERESSES E O NOSSO FUTURO. EMPOBRECER E LAPIDAR PATRIMÓNIO NUNCA É SOLUÇÃO.
Sinceramente gostei muito desta experiência e o número de perguntas que os meus camaradas do Partido Trabalhista Britânico de Oxford fizeram demonstram que também gostaram. Para que fiquem com uma ideia como o debate foi intenso depois da minha apresentação, partilho aqui algumas das perguntas que me recordo:
1- O destino da recente emigração dos Portuguese foram para os Países que falam Português?
2- Existe oposição interna a esta aliança de esquerda e o que garante que seja duradoura?
3- A comunicação social é independe ou tem alguma tendência partidária?
4- Os Verdes e os Comunistas juntos parece-me uma contradição e não estou a ver como isso é possível. Podia-me explicar como isso é possível em Portugal?
5- Aqui no Reino Unido temos um deputado por círculo eleitoral, enquanto em Portugal têm em média cerca de 10 por cada círculo eleitoral. Acha que o sistema proporcional é mais justo permitindo que haja uma relação entre os votos e o número de representantes no Parlamento?
6- Poderia dar-me um exemplo da abordagem Keynesiana em Portugal e de que forma influenciou o aumento do vosso PIB? Qual a reação da UE?
7- Qual a relação do Partido Socialista e o Sindicato?
8- Com as lições que tinham da Grécia, quanto tempo durou o Programa de Austeridade?
9- Como vê as regras do Banco Central Europeu e de que forma são favoráveis ou não à situação em que Portugal se encontra?
Concluído, esta minha experiência de um ano e nove meses no Partido Trabalhista de Oxford, tem sido muito enriquecedora e tem-me mostrado que um Partido Político tem que debater muito, para que consiga criar NOVAS POLÍTICAS. O convite que me fizeram para falar do Governo Socialista vai nesse sentido e foi com grande orgulho que partilhei as políticas da “GERIGONÇA” E COMO ELAS PODEM SER CAPAZES DE CONTAMINAR A EUROPA PARA
QUE FORTALEÇA O PROJECTO SOLIDÁRIO, COESO E PROGRESSISTA.

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