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PRÉ-ÉPOCA: DOS MILHÕES ÀS COISAS SÉRIAS!

MIGUEL NOVAIS
A pré-época é sempre alvo de insinuações e críticas, mas é fácil perceber porquê: as férias do futebol não fazem bem a ninguém!
Nós, por cá, sabemos tudo. A meio da preparação já descobrimos o campeão. Ou porque o Sporting fez mais jogos que treinos, ou porque o primeiro penta do Benficafoi logo contra os Young Boys ou mesmo porque lá no México o Sérgio Conceição já deu continuidade ao grito de revolta do Villas-Boas e acabou mais cedo que os outros no balneário (neste último caso, até foram todos juntos e amigos). Não nos desviemos do caminho, a pré-época serve para PREPARAR.
A escolha do calendário é logo o primeiro fator a ter em conta. Há quem defenda o aumento gradual da complexidade dos adversários, há quem prefira bastantes encontros a fim de testar um vasto leque de opções e depois existem os gigantes europeus que seguem todos o mesmo caminho (€), a fim de nos proporcionar momentos fantásticos logo a abrir a época desportiva. Mas há uma componente que é comum a todos os estilos: planteis enormes e infinitas substituições por jogo. Aqui esbarramos logo no primeiro problema: o espectáculo – o ritmo de jogo perde-se, logo, as pessoas mudam o canal. Lamento, mas tem mesmo de ser assim. É preciso ver, é preciso testar e no final ainda é preciso gerir o esforço dosatletas. Não me parece que exista outro caminho, uma vez que os jogadores não param de chegar. Todos merecem uma oportunidade que seja e, a ter de escolher, mais vale perder a feijões. 
Depois há os milhões que assombram o mercado. Sinceramente, não faço a mais pálida ideia de onde isto irá parar. Que o futebol é um negócio, toda a gente já sabe e talvez por tanta gente saber é que tanta gente tenta ganhar dinheiro. Falamos de números que, há 20 anos atrás, se lhes contássemos riam-se na nossa cara. Aliás, não precisamos de ir tão longe: o nosso Cristiano custou, há 8 anos atrás, uns bons 95 milhões de euros. Um preço já astronómico mesmo para um astro. Mas reparem, falamos de 400 golos em 400 jogos. O homem garante um golo por jogo! Coisa pouca a fim de justificar o investimento.Depois disto e apesar dos tempos já serem outros, digam-me lá um jogador com um preço justo no mercado…
Dinheiro à parte, as pré-épocas são sempre importantes em todos os planteis. É a diferença de entrar bem ou mal num campeonato, o que pode decidir o seu desfecho. A mim, parece-me óbvio que o principal papel de um treinador durante a pré-época seja cimentar as ideias do seu modelo de jogo e, fundamentalmente, fazer com que os seus jogadores percebam e acreditem nas suas ideias. Aliado a isso, desenvolver a condição física do plantel a fim de uma ótima entrada na competição. É por isso que a pré-época é tão longa, porque não é possível em uma ou duas semanas todos os jogadores estarem 100% preparados.Provavelmente, uns até conseguiriam, mas todos ao mesmo tempo era impossível. Por isso é que vão aparecer e desaparecer jogadores, vão haver boas e más exibições, vão surgir derrotas ou vitórias, mas tudo faz parte do processo. O mais importante é percebermos que estamos num período de aquisição. Reparem nas coisas boas que vão surgindo mas, quanto ao resultado em si, deixem-no para quando for mais sério!

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