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VERDADE SOBRE POUPANÇA

JOÃO RAMOS
Ao longo dos últimos 2 anos, a poupança manteve-se em níveis historicamente baixos, atingindo recentemente valores negativos. Apesar das acusações lançadas por determinados arautos, que criticam o despesismo das famílias portuguesas, é importante enumerar algumas das causas que originaram esta situação.
Por um lado, as remunerações dos trabalhadores encontram-se 6% abaixo dos níveis pré-crise, o que é agravado pelo aumento do número de indivíduos a receberem o salário mínimo nacional, que ultrapassa os 25% da população activa. Como se confirma pelo estudo do ISCET, o rendimento digno para um individuo solteiro é de 723 euros, e para um casal com dois filhos mais de 2500 euros, ou seja, 67% do salário mínimo nacional. Por outro lado, com a chegada da troika, muitas famílias adiaram despesas em bens duradouros, o que provocou uma aumento substancial da poupança, embora este fosse artificial, uma vez que se tratam de gastos indispensáveis. Aproveitando, um período de maior desafogo, as famílias optaram por realizar, ao longo, dos últimos dois anos, as despesas que haviam adiado, refletindo-se na redução do seu aforro.
Além disso, entre 2006-2016, os preços dos bens de consumo não duradouro e os gastos com eletricidade e telecomunicações subiram 16%, “sugando” uma componente maior, do já de si magro e estagnado, rendimento da população. Por último, convém recordar, que a generalidade dos portugueses possui as suas poupanças sob a forma de ativos ilíquidos, como habitações, o que, em termos contabilísticos, acaba por subavaliar o esforço dos portugueses. Todos os fatores apontados contribuíram e contribuem para a redução da poupança das famílias. Ao contrário do que defendem muitos economistas, não se deve a um consumismo ou despesismo das famílias, que voltaram aos excessos de outrora, mas sim ao baixíssimo nível de rendimento disponível dos portugueses a causa das baixas taxas de aforro.

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