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EDUCAR PARA A VIDA

MARIA ELISABETE CERQUEIRA
Formar os jovens de hoje, é um desafio…tanto para os professores como para os pais. O jovem atual é ao mesmo tempo generoso e egoísta, aberto aos problemas mundiais, mas intolerante na defesa de seus próprios direitos e opiniões, sem falar em obrigações. Tremendamente ativo, mas com pouca originalidade. Crítico da sociedade e dos costumes herdados e vítima das mais primitivas técnicas de propaganda. Inseguro e autoconfiante. Então, qual o papel dos educadores frente a esse jovem angustiado e ansioso por segurança e por uma realização pessoal, social e espiritual no mundo complexo e conturbado de hoje?
Pode-se dizer que há uma certa urgência em oferecer-lhe segurança. É urgente ajudá-lo a compreender, que é através do desenvolvimento das suas capacidades pessoais e da colaboração de uns com os outros, que se realizará como ser humano. Esses objetivos só se alcançam através de uma educação adequada, pois, não pode haver educação se não existirem valores.
O fato da família mandar os seus filhos à escola, não a exime de sua função primordial de educadora, antes a amplia. Através da escola, a família participativa colabora, não só atenuando os problemas de seus próprios filhos, mas também nos dos outros. Pais que entregam os filhos à escola, pensando que cumpriram a sua obrigação, não entendem o que é educação
Educar é um trabalho delicado e forte, paciente e alegre, não isento de complexidade. Partimos do princípio de que na difícil tarefa de educar sempre podemos melhorar e de que não há educação perfeita; até com os erros se aprende. Vale a pena dedicar tempo a atualizar os nossos conhecimentos com um objetivo claro: Educar para a vida.
Educar é obra de artista, pois quer levar à plenitude as potencialidades que residem em cada um dos seus filhos: ajudá-los a descobrir a importância de se preocuparem com os outros, ensinar a ser criadores de relações autenticas e humanas, a vencer o medo dos compromissos, estimulá-los a avaliar com consciência os valores pelos quais a humanidade se rege, procurando acreditar neles e segui-los o mais fielmente possível…em resumo, capacitar cada um para que possa responder ao projeto das suas vidas, cujo grande objetivo é o desenvolvimento do jovem ao nível de todas as facetas da sua personalidade para conseguir seguir um caminho digno e, construir uma vida com base nos seus sonho.
É de extrema importância que os pais e os educadores assumam uma atitude de compreensão e de diálogo perante os jovens. De contrário, eles tornar-se-ão insatisfeitos e revoltados com tudo o que os rodeia, é importante que o jovem aceite a educação que lhe é oferecida. A “missão” de educar, dentro ou fora de casa, é recíproca. Tanto vai depender do jovem como das pessoas que o rodeiam e procuram apoiar.
A Educação sempre serviu para tornar os jovens mais conhecedores de si mesmos…Mas a nossa sociedade, cada vez mais, se está a afastar do verdadeiro lema e objetivo da educação. Habitamos uma sociedade materialista onde o dinheiro ocupa o lugar de destaque, e os pais, cedendo aos novos valores que se erguem, preocupam-se mais em proporcionar uma boa vida aos filhos do ponto de vista material, menosprezando, assim, uma boa parte do carácter emocional que deve ser sempre uma constante.
Os jovens, por seu lado, não compreendendo a posição dos pais, sentem-se abandonados, acabando, muitas vezes por partilhar os seus problemas com falsos amigos – droga, álcool, roubo… e outros valores considerados vis na nossa sociedade, mas que são verdades inegáveis.
Quando os pais, confundindo felicidade com bem-estar, centram os seus esforços em procurar que os filhos tenham tudo, que tenham todas as comodidades e que não sofram nenhuma contradição, esquecem-se de que o importante não é só amar muito os filhos – isso já costuma acontecer – mas amá-los bem. E, objetivamente, não é um bem para eles que encontrem tudo feito, que não tenham que lutar.
A luta e o esforço que acarreta são imprescindíveis para crescer, para amadurecer, para se apropriar da existência pessoal e dirigi-la com liberdade, sem sucumbir acriticamente a qualquer influência externa.
Uma criança ou um jovem, abandonado aos gostos e inclinações da sua natureza, desce por um plano inclinado que termina por anquilosar as energias da sua liberdade. Se essa tendência não se contraria com uma exigência adequada a cada idade, que provoque luta, terão depois sérias dificuldades para realizar um projeto de vida que valha a pena.
Amar bem os filhos é pô-los em situação de alcançar domínio sobre si mesmos; fazer deles pessoas livres. Para isso, é inegável a necessidade de fixar limites e impor regras, que sejam não só cumpridas pelos filhos, mas também pelos pais.
Educar é também propor virtudes: abnegação, laboriosidade, lealdade, sinceridade, limpeza…, apresentando-as de forma atrativa, mas ao mesmo tempo, sem baixar a sua exigência. Motivar os filhos para que façam as coisas bem, mas sem exagerar, sem dramatizar quando chegam os fracassos, ensinando-lhes a retirar deles experiência. Animá-los a ambicionar metas nobres, sem lhes retirar esforço, e, sobretudo, é necessário fomentar a autoexigência, a luta; uma autoexigência que não se deve apresentar como um fim em si própria, mas como um meio para aprender a atuar retamente com independência dos pais.
A criança, o jovem, não compreende ainda o sentido de muitas obrigações. Para suprir a sua natural falta de experiência necessita de apoios firmes: pessoas que, tendo ganho a sua confiança, o aconselhem com autoridade. Necessita, concretamente, de se apoiar na autoridade dos pais e dos professores, que não podem esquecer que parte do seu papel é ensinar os filhos a desenvolverem-se com liberdade e responsabilidade.
“Os pais que amam verdadeiramente, que procuram
sinceramente o bem dos seus filhos, depois dos conselhos e das considerações
oportunas, vão retirar-se com delicadeza para q

ue nada prejudique o grande

bem da liberdade, que torna o homem capaz de amar”.

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