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RENTRÉE POLÍTICA 2017: >

TIAGO CORAIS
O final de Agosto ou inicio de Setembro são aproveitados pelos Partidos em Portugal para fazer a sua reentrada. É um espécie de “Entrada em Novo Ano Político”, apesar de ser o último trimestre do ano. A Festa do Avante é sem dúvida o maior evento organizado por qualquer partido Português, o PS organizou este ano a sua Festa de Verão no Algarve, o PSD organizou a Festa do Pontal e a sua Universidade de Verão, no qual convidou o deputado Socialista Sérgio Sousa Pinto, que na minha opinião marcou a Rentrée Política 2017. Não deixa de ser enigmático que quem tenha marcado pela positiva a reentrada política deste ano sejam um Socialista num iniciativa do PSD.  Um exemplo de maturidade da nossa Democracia.
PARTIDOS FAZEM “CONFISSÕES DE INUTILIDADE”
Sérgio Sousa Pinto está certo quando afirma que <<os Partidos fazem “confissões de inutilidade”>> mas acho que está errado quando o seu objectivo foi referir-se às Primárias abertas a não militantes para as escolhas dos seus candidatos às eleições legislativas e autárquicas. Na minha opinião as “confissões de inutilidade” são feitas há muito tempo quando de forma excessiva e não de excepção os Partidos optam pela escolha de candidatos “Independentes” em vez de fazerem um trabalho sério e de fundo para:
1.     ATRAIR OS MELHORES para se filiarem nos seus Partidos.
2.     CRIAREM processos internos que desenvolvam NOVAS POLÍTICAS, ou seja organizarem as suas estruturas para que tenham processos robustos geradores de INOVAÇÃO POLÍTICA. 
3.     Partilharem as MELHORES PRÁTICAS entre as suas estruturas.
4.     Incentivarem a participação dos seus membros e estabelecerem ligações à sociedade civil, respeitando o espaço de cada um.
5. Desenvolverem processos de SELECÇÃO DOS CANDIDATOS TRANSPARENTES no qual premeiem o espírito de MISSÃO E O MÉRITO
Esta “febre” pela desvalorização dos militantes e a excessiva valorização de “independentes”, em especial na escolha de candidatos dos partidos é  um facto que não acontece noutros países. Por exemplo NO REINO UNIDO, QUEM SE QUISER CANDIDATAR PELOS PARTIDOS TEM QUE SER MILITANTE e os “independentes” se querem ser candidatos vão como independentes. Também é verdade que todos os partidos têm os seus Think tank com ligação às Universidades e à Sociedade Civil onde desenvolvem as suas políticas, caso que em Portugal infelizmente não acontece com muita frequência.
Outra particularidade em Portugal é que os eleitores valorizam os “Independentes” na lista como sinal de abertura à sociedade, originando que os Partidos têm que ir ao encontro dos seus anseios. Hoje até o Partido Comunista se rendeu a este facto, um bom exemplo dessa rendição é a candidatura comunista à autarquia em Braga. Este ciclo vicioso, em que aparentemente os motivos são bons, mas as consequências são desastrosas para a nossa Democracia. Pois, ao desqualificarmos os militantes e os Partidos estamos a dar uma mensagem ao comum dos Cidadãos de “inutilidade dos partidos”.  Como “guardião da Democracia” que sou, acho que é preciso levantar a voz e repetir quantas vezes forem precisas outra afirmação de Sérgio Sousa Pinto:
<< A POLÍTICA “É A MAIS NOBRE ENTRE TODAS AS ATIVIDADES NOBRES” e “uma pessoa que milita num partido fá-lo para ampliar as suas possibilidades cívicas” de intervenção na sociedade.  (…)
“O ataque aos partidos é um ataque à democracia e não há democracia sem partidos”, a “única democracia é a representativa”, “ao nível do subconsciente coletivo continua a haver [em Portugal] uma resistência aos partidos” formatado por cinco décadas de ditadura, afirmou. Em suma: “Uma democracia sem partidos é uma ditadura.”>>
PRIMÁRIAS ABERTA A NÃO MILITANTES
Sinceramente não concordo que as Primárias abertas a não militantes para as escolhas dos seus candidatos às eleições legislativas e autárquicas, os partidos estejam a fazer uma “confissão da sua inutilidade”. Na minha opinião bem pelo contrário, estão a valorizar e a incentivar o interesse dos Cidadãos pelos Partidos e poderá ser uma oportunidade de os despertar para uma militância no futuro, como aconteceu com as Primárias para a eleição de Jeremy Corbyn como líder do Partido Trabalhista Britânico.
No entanto acho que em especial o meu partido, o Partido Socialista, depois da experiência que teve da escolha de candidato a Primeiro-Ministro Socialista feito em Primárias, deveria ter aproveitado estas autárquicas para fazer alguns testes pilotos em duas ou três autarquias, para que valide a solução. Não estou de acordo que iniciemos o método de Primárias abertas a não militantes de forma massificada sem as testarmos e avaliarmos os seus resultados, mas não tenho dúvidas que se queremos FORTALECER O PAPEL DOS PARTIDOS, AS PRIMÁRIAS ABERTAS A NÃO MILITANTES SERÃO UMA DAS COMPONENTES ENTRE OUTRAS QUE APROXIMARÃO OS CIDADÃOS AOS PARTIDOS.
CONCLUSÃO
Concluindo acho que se queremos uma Democracia sã, que seja capaz de cumprir a sua missão não existe melhor resposta do que a do deputado Socialista Sérgio Sousa Pinto sobre o que há a fazer com os partidos:

<< É “DEFENDÊ-LOS”, “MELHORÁ-LOS”, “PROTEGER OS MELHORES”, “CRIAR MASSA CRÍTICA DE EXCELÊNCIA”, “NÃO PACTUAR COM A DEMAGOGIA E SE NECESSÁRIO PAGAR POR ISSO” – PORQUE “A DEMAGOGIA GERA DEMAGOGIA, NUMA ESPIRAL EM DIREÇÃO AO FUNDO”.>>

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