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AS CRIANÇAS CÁ DE CASA

ELISABETE SALRETA
Quando se tem uma casa cheia, além do trabalho inerente ao bem-estar de todos, existem as brigas, os ciúmes e afins. Quando um dos filhos é um bebé especial, a coisa complica à séria.
Cá em casa, os desentendimentos passam-se a qualquer hora e em qualquer lugar. Até em cima da mãe, com a mãe a dormir.
Numa casa com crianças, a privacidade deixa de ser um dado adquirido. Portas fechadas são um insulto. A hora da refeição, uma festa.
Aqui, as crianças são gatos. Mas funciona da mesma forma. Para mim, são crianças com 3 anos ou menos, pois o seu comportamento assim se assemelha.
Acordamos, e existe o retardatário, aquele que não se quer levantar apesar da zorra que já existe no hall. A gritaria é constante, e até aqui se vê até onde vai o ciúme e o facto de se ser o irmão mais velho o que lhe dá um certo poder. Como se trata de duas meninas, as discussões, os insultos, e os ataques, são frequentes. O mano, do meio, assiste impassível, a ver se não lhe calha uma chapada perdida numa discussão fervorosa. Elas, são as únicas que gritam, ele, só de dor. Elas, despeitadas, descarregam no pobre as frustrações das lutas perdidas. Saliente-se que ele pesa mais que elas duas juntas, mesmo assim, ele apanha. Um verdadeiro gentleman.
A bebé quer impor-se e tenta enfrentar a mana mais velha. Esta, sabida, e sabendo que a pequena não vê, dá-lhe um berro que a faz mudar de direção. Não sai do sítio. Apenas espera que a pequena por la passe e diverte-se com o atabalhoar da pobre.
Mas há dias em que a pequena está terrifica e morde-lhes. Parece que se quer vingar dos sustos e chamadas de atenção. Nessa altura os gatos velhos fogem para o sítio mais alto que conseguem e juntos, ficam a ver a pequena desesperada à procura deles, chamando para brincar. Ou para a próxima luta.
Na hora da refeição, existem dois pratos. O rapaz come com qualquer uma, elas juntas, nunca. Mulheres!
Quando a mãe ou a mana humana comem, e se não lhes é oferecido um miniprato, elas cheiram a nossa boca para terem a certeza de que comem o mesmo. A pequena come o que comemos e adora ovo mexido ou gema do ovo estrelado.
Depois chega a hora da cama. Cada um tem o seu lugar, com a mãe no meio. A gata mais velha não pode ver a mais nova pois rosna e bufa sem parar. A pequena esconde-se, encostada às costas da mãe, onde adormece quentinha e com uns beijinhos extras quando a mãe se vira.
A mana velha precisa de mimos extra e continuados durante a noite. Simula mamar no pescoço da mãe como se de um gatinho se tratasse. Mas por uma questão de estatuto ou pura vergonha, os outros não podem ver. Tem de ser com a luz apagada e com os outros a dormir. Ele fala toda a noite. Que se passará pela sua cabecinha? A pequena ronrona, feliz. Depois de tudo pelo que passou, merece.
São uns chatos, mas eu não saberia viver sem eles!

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