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A PERDA DOS NOSSOS ÍDOLOS

RUI DE LEÓN
Como músico, e como fã incondicional da música, posso com orgulho afirmar que os anos 90, foram para mim, a época de ouro, uma vez que ouvi, cresci com as tendências rock/grunge que fervilhavam na altura. Bandas de Seatle como os Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam , numa “onda” mais funk, rock-alternativo e punk os Red Hot Chili Peppers entre outros grandes artistas marcavam a história da música.
Porém , por influência familiar, sempre tive um “background” musical mais amplo que percorre Leonard Cohen, Frank Sinatra, Rolling Stones, The Beatles, Louis Armstrong , Led Zeppelin entre tantos outros. No panorama nacional na altura, gritavam os Ornatos Violeta, os Silence 4 e os Moonspell. 
Apesar deste “cocktail musical” sempre me identifiquei mais com o rock/grunge , que posteriormente, teve um papel fulcral enquanto músico. 
Toda esta descrição que apresentei serve para abrir a porta ao tema que realmente quero abordar. A perda dos nossos ídolos, e como isso afecta o panorama da música actual.
De 2015 a 2017, foram anos desoladores quanto à partida, entre muitos, precoce de diversos ícones de vários géneros musicais. Aqueles que para muitos marcaram a sua geração, partiram e deixaram um vazio não só a nível musical mas também na forma como influenciaram as suas vidas com histórias controversas, estilos de vida e muitos pela ação social e de intervenção que exerceram.
Hoje em dia, embora com maior facilidade para gravar um álbum e distribui-lo digitalmente, tendo cada vez mais artistas, é por outro lado mais difícil se destacar por entre tamanha massa de novos talentos. E no meio de outras conjunturas, aquilo que me apercebo, e acaba por ser mais uma opinião pessoal do que um facto, os maiores meios de difusão de música parecem ter um espectro mais estreito, um género musical comum, que roçam o kizomba e os ritmos latinos. Parece assim haver menos margem de manobra para a continuação do legado daqueles que já partiram. 
Como exemplos temos o legado de Scott Weiland, vocalista e compositor Norte-Americano ex-vocalista dos Velvet Revolver, ficou mundialmente conhecido com os Stone Temple Pilots. A forma controversa como Weiland lidava com o mundo do espetáculo e a forma singular como se apresentava em palco marcaram uma geração e deixaram o seu nome gravado no mundo rock/grunge com a explosão do som de Seatle. Foi encontrado sem vida no autocarro da tour que realizava nos EUA em Dezembro de 2015.
Outra grande referencia de rock/grunge que perdeu a vida em Maio de 2017 foi Chris Cornell ,um dos grandes impulsionadores do movimento grunge de Seatle nos anos 90. 
Fez parte dos Soundgarden, Temple of a Dog (juntamente com Eddie Vedder) e Audioslave. Para mim, sempre foi um ídolo, talvez uma das maiores referências vocais e sem dúvida uma das maiores influências no meu trabalho. Foi com choque que o mundo da música recebeu a notícia da sua partida prematura. 
Segue-se Chester Bennington, vocalista dos famosos Linkin Park (rock alternativo, rap rock, rock eletrónico). Perdeu a vida a em Julho de 2017. Bennington ainda deu voz aos Stone Temple Pilots, continuando o legado deixado por Weiland. 
Dentro de outros géneros musicais presenciamos a partida de Leonard Cohen, autor de Im your Man e Hallelujah, aos 82 anos. Deixa-nos uma invejável carreira tanto como cantor como compositor. 
Outro gigante da música, George Michael faleceu em Dezembro de 2016. Para muitos a cara dos Wham com a música Last Christmas, marcou uma geração com os seus êxitos musicais e com uma vida controversa. Deixou uma legião maciça de fãs destroçados .
Não poderia deixar de falar do grande “camaleão dos palcos” , o grande David Bowie. Um artista sem precedentes, com uma discografia tão diversa e rica que marcou gerações de forma tão intensa e impregnada. Deixou o mundo perplexo e em choque em Janeiro de 2016 quando foi confirmada a sua morte , dias após o lançamento do seu último trabalho “Blackstar” 
Todos estes artistas, com estilos distintos, personalidades fortes e detentores de um enorme talento, deixaram a sua marca de inúmeras formas, tocando as mentes e corações de gerações. 
Gerações estas que, embora em crescimento exponencial na música, não parecem continuar uma história começada por estas Estrelas. 
O mundo da música está mais pobre e, claro , a lei da vida é certa, e muitos dos nossos ídolos partirão. Cabe a nós mantermos a chama bem acesa e não deitar por terra o que anos atrás começaram. 
O rock , rock/grunge marcou toda uma geração e transportou-nos tantas vezes para lugares que nuca visitamos, ajudou-nos a atravessar períodos conturbados e marcou para sempre a história da música. 
Assim termino esta crónica, “puxando a brasa à minha sardinha” e apenas dizer “long live the grunge”.

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