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BUNDESTAG 2017

RUI SANTOS
Os resultados das eleições legislativas alemãs, realizadas no passado domingo, reconduziram Angela Merkel na liderança do governo alemão. Este será o quarto mandato para uma mulher que passou de alguém «a prazo» alguém cujo reconhecimento como líder da Europa é incontestado. Mais que qualquer outro líder europeu, nacional ou referente às instituições europeias, é Merkel quem guia a Europa nestes tempos conturbados. Aliás, não se vê qualquer outra pessoa que lhe possa fazer frente a curto prazo. Isso é mau para a Europa. Significa que as lideranças são fracas, e quando elas são fracas…
No entanto, os alemães penalizaram Merkel e a sua CDU, assim como os socialistas alemães do SPD e o seu líder Martin Schulz (antigo presidente do Parlamento Europeu). Aliás, tanto a CDU como o SPD obtiveram os seus piores resultados desde 1949 (33% e 20,5% respectivamente). Isso revela um descontentamento com os partidos centrais do sistema político alemão. Quem beneficiou foi a extrema direita alemã reunida na AfD (12,6%) e Partido Liberal (10,7%) que tinham sido varridos do Parlamento nas eleições de 2013. Uma vez que não era possível voltar a ser feita a aliança entre a CDU e o SPD, restou a Merkel aliar-se aos Verdes (8,9%) e aos liberais. Todos os partidos recusaram aliar-se com a AfD e Merkel rejeitou os populistas de esquerda do Die Linke (9,2%).
No entanto, penso que estas eleições ficam marcadas igualmente por um facto. A diferença percentual entre a extrema-direita e os socialistas é bem menor que aquela registada entre os socialistas e os democratas-cristãos de Merkel. Isso deve dar que pensar não só aos alemães mas a todos nós que vivemos na Europa.
O clássico combate entre a esquerda e a direita tem de começar a ser posto de lado em muitos países europeus. O que agora importa é unir esforços para estancar a subida da extrema-direita na Europa, nomeadamente em países como a Alemanha e a França, mas também na Polónia, Hungria, República Checa, Eslováquia, Áustria, Holanda… O combate tem de ser entre a democracia e o autoritarismo, entre a liberdade e a opressão. Muitos dos que votaram na AfD votaram como forma de protesto perante o actual sistema político alemão. Não tenho nada contra o voto de protesto, mas votem em partidos democráticos. Proteste-se sim mas não em quem possa vir mais tarde a retirar-nos a possibilidade de votar e escolher livremente.
O perigo para a Europa não são os refugiados que fogem das maiores atrocidades. O perigo para a Europa está cá dentro e chama-se xenofobia, discriminação, desrespeito pelos direitos humanos.

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