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INTOLERÂNCIA E RIVALIDADE

Fala-se tanto de intolerância e os intolerantes somos nós.
Nós, os humanos, que nos achamos os seres superiores, no fim não sabemos nada. Muito temos a aprender com quem dividimos este maravilhoso planeta. Sim, existem hierarquias, mas num tempo ou noutro, todos acabam por ter o seu tempo, pois só as árvores morrem de pé.
No reino animal existem inúmeros casos de duetos improváveis e de amizades entre espécies tão diferentes. Ninguém é solitário todo o tempo. Temos o caso daquele bode que deixou de comer quando o separaram do amigo, um burro. Temos caso de mamíferos e de lagartos que se ajudam. Alguns até se defendem. E existem os casos de rivalidades fingidas. Quando tem que se mostrar perante os demais que existe diferença, mas no fim não existe nada. Todos nós conhecemos um caso ou outro que n os faz sorrir e dizer: – Estranho!
Cá em casa tudo isto é bem visível.
Como acho que o ser humano deve usar a sua inteligência e destreza para ajudar e não para modificar, é normal trazer para casa um animal a precisar de ajuda. Os meus gatos estão habituados e embora intrigados, não lhes fazem mal. Apenas têm curiosidade. Muita curiosidade. A Sofia, a mais velha, acha-se a mãe de todo mundo e a chefe. Finge-se de distante, grita para afastar e manter no seu lugar quem se tente aproximar, mas no fim, é um coração de manteiga. Já existiram dois pombos cá em casa, que ela observou com o máximo de interesse e sem qualquer sinal de agressividade. Mas à janela a ver a passarada passar, faz o som característico de aviso de caça. Já existiram pardais cá em casa, também não lhes fez mal. Cheirou, ficou colada a nós enquanto tratávamos deles mas nunca tentou atacar.
Em contrapartida, tem uma mão de ferro no tratamento com os demais habitantes cá de casa. Impõe o seu estatuto e faz notar quando não está de bom humor. Uma tirana. Grita, morde, dá sapatadas a todos. Até a nós. Até ao momento em que alguém faz asneiras e eu ralho. A Sofia arma-se em polícia e destemidamente fica no meio na discussão. Sobe por mim acima e encosta o seu focinho à minha boca como a dizer para me calar. Já chega de gritos. Olha o infrator e abana a cauda em sinal de desagrado. Quando o caso é com ela (também faz das suas), argumenta, responde mas no fim pede desculpa. Chama-se a isso viver em comunidade.
Algo que acho muito interessante nas suas interacções é quando um brinca com um objecto, o outro fica a ver. Aguarda a sua vez até que o primeiro o cede e a brincadeira continua. Não se vê isso nos humanos.
Entre intolerâncias e rivalidades, afinal, as bestas são os humanos.

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