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BIRD Magazine

A AUTOMEDICAÇÃO DO DOUTOR GOOGLE

RUI SANTOS
Cada vez mais , os Portugueses, estão a comprar medicamentos não sujeitos a prescrição médica (MNSRM). Segundo os dados do Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde), nunca se gastou tanto com a automedicação. 
Como profissional de Saúde, sendo eu Farmacêutico, o meu dia-a-dia está inserido nesta realidade e cada vez é mais difícil arguir com o utente, e por vezes aconselha-lo.
Cada vez há mais informação e meios de obtê-la, porem muita desta é incorrecta ou simplesmente não apropriada a determinada realidade. Cada caso é um caso, com características próprias, como por exemplo, idade, género e historial clinico, que devem ser avaliados juntamente com a sintomatologia e sinais aparentes de cada caso clínico. 
É comum nos dias de hoje, mesmo já estabelecidos laços de confiança entre o Farmacêutico e o Utente, este se debater ao aconselhamento que é oferecido por previamente dizer que já está “informado” de determinado produto. Resulta muitas vezes na automedicação de MNSRM e inúmeras vezes, usando esse mesmo laço de confiança tentar obter medicação sujeita a receita médica (MSRM). A vizinha, um familiar, uma situação isolada em que já usou o medicamento, são sempre argumentos que apresentam para obter primariamente o medicamento sem consultar o médico ou pedir a nossa opinião ao balcão. 
Cada vez é mais fácil o acesso a MNSRM, até mesmo a fazer compras num supermercado , sem ter direito a um aconselhamento correcto por um profissional qualificado, resultando num mau uso do medicamento ou produto que poderá dar origem ou à ineficácia deste, ou colocar em risco a saúde do utente. É estritamente necessária a intervenção do profissional de saúde para conduzir e auxiliar o utente de forma correcta, de modo a evitar complicações ou agravamento do seu estado de saúde.
A automedicarão é perigosa, mesmo tratando-se de produtos naturais. Existem inúmeras substâncias que reagem umas com as outras, ou com o nosso próprio organismo, colocando o utente numa posição de risco. Risco este que poderá culminar numa situação aguda ou levar, gradualmente, à deterioração da condição física e psíquica do consumidor. 
A pesquisa na internet é duvidosa, não apenas por muitas das fontes não serem fidedignas , mas também por não se considerarem factores como doenças crónicas, hipertensão, diabetes, problemas de tiroide, entre muitos outros. O que é aplicado a uma pessoa saudável não poderá ser transposto, de animo leve, a uma situação destas referidas acima. 
O “Doutor Google” pode ser muito útil, mas é uma ferramenta que necessita de operadores formados e informados para responderem com eficácia às necessidades de cada utente sem os colocar em risco. 
Tendo em conta a gravidade desta temática, só neste ano o número de embalagens de MNSRM adquiridas ultrapassou os 10,7 milhões (mais 200 mil do que no primeiro trimestre de 2016). 
No topo da lista encontram-se os Analgésicos e Antipiréticos. Sujeitos a receita Médica estão os ansiolíticos e hipnóticos indutores do sono (cada vez mais utilizados sem controlo por parte do Médico ou Farmacêutico , por um grupo etário acima dos sessenta anos). 
Apresentada esta realidade, e tendo conhecimento das causas nefastas do uso indevido de medicamentos (Naturais , MNSRM ou MSRM), apenas apelo pelo uso do bom censo de cada um. 
Somos profissionais qualificados e vivemos num País em que o aconselhamento e seguimento farmacológico numa Farmácia são gratuitos e ao alcance de todos, por isso em caso de dúvida contacte o seu Médico ou Farmacêutico.

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