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THE BIG SICK

JOÃO PINTO
Como seguidor do trabalho do Kumail Nanjiani desde a estreia da aclamada sitcom “Silicon Valley” da HBO, foi uma surpresa deparar-me com um filme rodeado de críticas positivas, principalmente num mundo onde a comédia é algo desprezada e uma comédia romântica ainda mais. Mas só vendo o filme se percebe, que “The Big Sick” é muito mais que uma comédia romântica.
O filme circula em torno da história verídica da relação entre o humorista Kumail Nanjiani e de uma mulher que viria, como é sabido, a ser a sua esposa, Emily V. Gordon (Emily Gardner no filme). A partir do momento em que sabemos que foi o próprio Kumail e a sua esposa Emily a escrever o argumento daquilo que é a sua história é perceptível que estamos prestes a explorar um território que é novo em comédias românticas, não só pela escrita na primeira pessoa, lembrando que para além do argumento, Kumail Nanjiani também desempenha o papel dele mesmo, protagonizado com Zoe Kazan (Emily), mas pela representação genuína da sua cultura e das barreiras que foram quebradas numa época onde não se espera tal necessidade. A realização de Michael Showalter está em perfeita harmonia com a indumentária do filme, apropriando-se da comédia para criar aquilo que é um belíssimo drama, usando material que Nanjiani usa nos seus próprios espetáculos e enaltecendo as fortes barreiras culturais e religiosas que ainda vivemos sem deixar que a temática do filme seja meramente por controvérsia. Aliás, vendo “The Big Sick”, espera-se controvérsia, mas recebe-se uma história de amor sobre como a controvérsia e as nossas raízes não podem ser obstantes ao nosso futuro. A grande qualidade do filme está longe de se limitar à história, é a intimidade que através também das performances de Ray Romano e Holly Hunter nos abraça. É o pacing do filme que nos permite observar a evolução do julgamento e da ambivalência do humano, não só através da família de Nanjiani mas do retrato de sofrimento que se centra em torno do coma de Emily, e como o mesmo é contornado.
“The Big Sick” mostra-nos que ainda é possível inovar e criar um drama que é exímio no seu comentário social, mas acima de tudo magistral na sua capacidade de storytelling. Como já fã que era do Kumail, este é um filme que provou também o papel da comédia no mundo da sétima arte, e no panorama cultural em que estamos.

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