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O VALOR DE UMA PALAVRA

LUÍSA VAZ
Ao olharmos para a Europa dos dias de hoje vemos que por ser tudo muito rápido e o Mundo avançar muito em termos de informação as pessoas cada vez mais procuram mensagens curtas que lhes chamem a atenção.
Ora normalmente quem está do outro lado e quer captar essa atenção usa frases-chave que “ficam no ouvido” ou que são facilmente repetidas qual lavagem cerebral levando as pessoas a escolher conscientemente más pessoas apenas porque elas nos dizem o que queremos ouvir. Sobre a premissa “são todos iguais” ou “para amarga já basta a vida”, ou “este já sei que rouba, quem vier a seguir não sei” são os argumentos que as pessoas usam para justificar as suas opções.
Ao olhar para a triste figurinha do senhor Puigmont concluímos que se trata de mais alguém com um Ego maior que o cérebro que tudo faz para se colocar debaixo das luzes da ribalta. Ao ser eleito o senhor pôs em cima da mesa a questão da independência da Catalunha esquecendo-se de três pressupostos: é algo que a Constituição pela qual se rege a Espanha não permite e portanto é ilegal e inconstitucional, que a vontade de poucos não se pode nunca sobrepor à vontade de muitos mesmo que o resultado não seja o que desejaríamos e que para se ser independente é necessário dinheiro e emprego pois aquilo que se transfere para o Governo Central não chega para a manutenção da Região nem eles podem fornecer serviços nacionais como: Educação, Saúde, Justiça, Segurança, Segurança Social e isto só para citar algumas.
O senhor insistiu na falácia de que poderia vergar o Poder Central e obrigar todos os espanhóis a aceitar o resultado do Referendo, desde distribuir vários boletins de voto para que se votasse mais do que uma vez até aplicações para telemóvel que permitiam votar e ver os resultados, valeu tudo. Onde fica então o pressuposto de que “o voto é secreto”? Onde fica a Liberdade de escolha e de expressão de quem não pensa como o dito senhor?
Ele alega que o acto teve uma adesão de cerca de 85% e afirmou que na segunda-feira seguinte iria anunciar a independência unilateral da Catalunha. Entretanto, Bancos e empresas começaram a deslocalizar os seus serviços porque Barcelona vale como parte de um todo, não sozinha e não independente onde são necessários vistos para se entrar. É um mercado apetecível mas um dos maiores de Espanha pouco ou nada vale quando isolado.
O senhor alega que as contribuições da Catalunha para o Estado Central são muito elevadas e sem as contrapartidas necessárias e que por isso se deveriam desvincular. Ora mas o princípio não é o de que “dá mais quem mais tem” de maneira a que haja alguma igualdade na distribuição dos recursos?
Um povo que estava calmo e sereno que apesar de há pouco tempo ter tido 3 eleições Legislativas visto que não conseguia formar Governo e mesmo assim o desemprego não disparou, não houveram tumultos e a Economia cresceu, faz parte de uma Nação evoluída. Hoje, graças ao Ego desse senhor e à sua irresponsabilidade, vemos uma Nação dividida entre a vontade de cerca de 2 milhões de catalães, contra todo um povo. Foi isto que o senhor conseguiu que a Nação ficasse desavinda, confusa e extremada que é aliás aquilo que os líderes modernos melhor sabem fazer.
Como se não bastasse ter afrontado o Rei de Espanha e de ter considerado que tinha força para pressionar e chantagear o Governo Central pondo em risco de confrontos sérios os catalães, este senhor tem o descaramento de com 25 horas de atraso apresentar a Declaração de Independência – que assenta em pressupostos falsos porque um Referendo ilegal e inconstitucional não pode ser considerado válido e como tal os seus resultados de nada valem para além de que para ter qualquer validade teria que atingir os 51% de participação – pede à Assembleia que suspenda essa Declaração cerca de 30 segundos depois de a ter pronunciado.Em que ficamos afinal? Mas andamos a brincar com a vida das pessoas e com a Economia? O acto rebelde deste senhor vai ficar incólume?
A título de curiosidade, aqui fica a duração dos três actos independentistas da Catalunha: 1931 – 3 dias; 1934 – 10h; 2017 – 10 sgs. O mais provável é não darmos conta que o próximo teve lugar. Esta situação pode ser comparada com a da Grécia quando o Tsipras achou que podia vir mandar em que já cá estava. Fazia e acontecia e acabou a fazer o que lhe mandaram que foi o melhor que fez.
Jornalistas portugueses compararem o caso da Catalunha ao das Repúblicas dos Balcãs demonstra pelo menos desconhecimento da História já para não dizer má-fé. Foi recorrente por cá ouvir falar em auto-determinação e sim, o conceito existe mas diz respeito a Estados Independentes que foram anexados por outros normalmente em contexto de guerra. É o caso da Jugoslávia, da Bósnia entre outras pela ex-URSS ou pela Alemanha aquando das Guerras Mundiais. Esses países tinham todo o direito de se libertarem do jugo do opressor e aplicar a sua auto-determinação. Já no que respeita à Catalunha, ela é parte integrante de Espanha e está regionalizada porque foi essa a forma como se organizou o Estado espanhol administrativa e economicamente, logo não há lugar à auto-determinação e repeti-lo é no mínimo uma asneira grosseira.
Também por cá há pequenos Puigmont´s. Pessoas que consideram que chegou a sua vez de ascenderem a cargos ou que não querem ficar de parte uma vez que vai haver mudança de liderança interna e que estão dispostas a pôr tudo em risco só pelo cheiro a Poder. Dou-lhes o mesmo conselho que deixo a Puigmont: vão trabalhar e ganhar maturidade e voltem quando forem crescidos e responsáveis. Ajudem a construir uma sociedade para todos e não apenas uma onde só caiba o vosso Ego gigantesco. De uma vez por todas: apesar das más escolhas que as pessoas fazem, estas só acontecem porque as pessoas boas se afastam e isto não anda ao sabor do calendário pessoal ou do Ego de cada um mas das competências, do trabalho demonstrado e da necessidade da sociedade no momento da escolha.
Para cargos de decisão somente os melhores e mais preparados. Não os mais ambiciosos e oportunistas. Portugal tem levado grandes lições nesta matéria, espero honestamente que desta aprenda que já cansa andar sempre a repetir o mesmo.

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