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ME TOO E NETO DE MOURA

JOANA M. SOARES
Nas últimas duas semanas surgiu no facebook a hashtag #metoo. Uma iniciativa para alertar para o combate ao assédio à mulher, à perseguição feminina, ao machismo, e à igualdade de género. Passado poucos dias da campanha, rebenta a polémica do acórdão escrito pelo juiz desembargador do Porto, assinado por uma juíza, que atenua a pena a dois homens acusados de violência doméstica. Isto porque, o juiz amparou-se no adultério da mulher que, nas palavras de Neto de Moura, citando frases bíblicas, feriu “a dignidade do homem”. Neto de Moura vai mais longe e ao invés de se apoiar na Constituição de 1976, espreita o Código Penal de 1886, este mesmo do século XIX.
Ora, vivendo nós no século XXI, passadas intensas e longínquas lutas pela igualdade socia e de género, pela evolução positiva das sociedades, ainda há gente, ainda por cima com responsabilidade social elevada, que teima em regredir no tempo, em atrofiar Portugal e as suas gentes. Mais: tudo isto sob os holofotes dos media internacionais.
Portugal ficou com a imagem ridicularizada lá fora, e sofreu um abalo interno que despoletou imediatamente em manifestações – não vá a mente machista e retrógrada do juiz pegar moda e o presente regresse ao passado.
Quem achava cómica a hashtag me too e li em muitos sítios da internet que o caminho não era por aí: utilizar uma hashtag para alertar para um problema que nem existe. Pois, mas é um problema e existe. É real, ainda, persiste, no tempo e agrava-se, além de nós.
O mais assustador neste episódio é ler os comentários sobre o assunto nas páginas online dos jornais: gente ignorante, que julga, que chama nomes, que insulta…à mulher! Esta mulher vítima de violência doméstica, de um crime, punível, atraída para uma cilada montada entre marido e amante.
É aterrador ver que à luz de seres, supostamente, humanos, que andam por aí, olham a mulher como pecadora e merecedora de castigo, merecedora da moca com pregos com que foi atingida severamente.
Cuidado, muito alerta, muita sabedoria para mudar mentalidades, para lutar contra o errado. Nesta luta junto-me às palavras de ordem nas manifestações feministas sobre este assunto: Machismo não, Justiça sim. E Com hashtag #me too.

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