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A MÚSICA E O DESPERTAR DAS EMOÇÕES

RUI SANTOS
A música é a combinação de ritmo, harmonia e melodia, de maneira agradável ao ouvido. Num sentido mais amplo, é a organização temporal de sons e silêncios (pausas). Restritamente, é a arte de coordenar e transmitir efeitos sonoros, harmoniosos e esteticamente válidos (voz ou instrumentos musicais).
A música é uma manifestação artística e cultural de um povo, em determinada época ou região e evoluiu através dos séculos, resultando numa grande variedade de géneros musicais (sacra, erudita, popular e a tradicional) Cada um dos géneros musicais subdivide-se dando origem a estilos tão diversos. 
Onde eu realmente quero chegar é neste ponto: A música é um veículo usado para expressar sentimentos. 
Quem nunca sentiu que uma canção pode brincar com o nosso coração como uma marionete? Seja a sensação de euforia numa festa ou o choro solitário ao ouvir uma balada. A música pode partir- nos o coração ao meio mas também pode por chamas no fervilhar de uma paixão ou até nos fazer sentir invencíveis e corajosos para o que a vida nos reserva. 
Mas os motivos para isso não são nada óbvios. O pai da teoria da evolução, Charles Darwin, dizia-se perplexo diante da nossa aptidão musical. Para ele, tratava-se de uma “das mais misteriosas habilidades do ser humano”. Alguns pensadores, como o cientista cognitivo Steven Pinker, já chegaram a questionar se essa capacidade teria algum valor fisiológico. Na visão dele, gostamos de música porque ela agrada algumas das faculdades mais importantes do nosso cérebro, como o reconhecimento de padrões. Mas, sozinha, ela nada mais é do que “um bálsamo para os ouvidos”.
Uma outra teoria, mais popular na Ciência, é que a música teria surgido da “seleção sexual”, isto é, ela seria uma espécie de exibição sensual que destacaria um indivíduo dos rivais no acasalamento. Um estudo realizado pela Universidade Karolinska, na Suécia, com 10 mil gémeos, não conseguiu provar que músicos fossem particularmente sortudos no sexo (talvez Mick Jagger e Harry Styles não sejam da mesma opinião ).
Outras teorias levantaram a hipótese de que a música surgiu como uma forma primitiva de comunicação. Cientistas da Universidade do Wisconsin, nos Estados Unidos, estabeleceram que certos temas musicais podem, de facto, carregar algumas das marcas registradas de apelos emocionais dos nossos antepassados. Por exemplo, o som de um staccato ascendente tende a colocar-nos em estado de alerta, enquanto tons longos e descendentes parecem ter um efeito calmante. 
Esses padrões sonoros parecem ter um sentido universal para adultos de diferentes culturas, crianças pequenas e até outros animais.
Portanto, talvez a música tenha sido calcada em associações feitas com os sons emitidos pelos animais, ajudando-nos a expressar os nossos sentimentos antes mesmo de sermos capazes de pronunciar qualquer palavra. 
Seria como um “protótipo” de linguagem que poderá ter aberto caminho para a fala. 
A música pode ter ajudado a moldar as sociedades humanas quando começamos a viver em grupos cada vez maiores. Dançar e cantar juntos parece ajudar os agrupamentos a serem mais altruístas e a terem uma identidade coletiva mais forte como comprova uma pesquisa inovadora na área de neurociência, realizada na Grã-Bretanha. Quando um indivíduo se move em sincronia com outra pessoa, o seu cérebro começa a criar uma “névoa” na sua percepção de si mesmo. Passa a pensar que os outros se parecem mais com ele próprio e compartilham das suas opiniões. A melhor forma das pessoas se moverem juntas é com música. 
A participação activa na música não é absolutamente necessária para sentir os seus benefícios. Simplesmente ouvir uma canção que produza um “frisson musical” pode aumentar o altruísmo.
A música realmente tem um poder avassalador de união. Ao ter um lugar tão importante nas nossas relações, parece lógico que ela também interfira com o nosso coração, ajudando a criar uma conexão emocional.
Hoje em dia , não conseguimos imaginar a música sem que ela esteja associada a alguns dos acontecimentos mais importantes das nossas vidas. Temos uma “banda sonora” do momento da concepção até ao funeral, e as melodias unem uma coisa à outra.
Não é de espantar, portanto, que uma música triste nos faça chorar, nos provoque saudades, sentimentos nostálgicos. Ou uma música enérgica e vibrante nos dê vontade de correr, de gritar de “abanar o esqueleto” . 
A música é terapêutica, é utilizada como metodologia pedagógica. É uma das “armas” mais poderosas da Humanidade.

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