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O PREÇO ESMAGADOR DE TENTARMOS AGRADAR TODA A GENTE

LUÍS PINHEIRO
Ao tentarmos agradar toda a gente o preço que pagamos é demasiado alto, mesmo vendo em perspetiva, o que nos leva a agir deste modo é o medo constante de estarmos sozinhos, seja essa solidão na presença de outros ou não. Estou a falar do medo da solidão quando estamos acompanhados, ou seja, a doença existe onde pensávamos encontrar a nossa cura.
São os nossos desejos e medos que servem de base para o aparecimento da companhia. As relações sociais tornam-se significativas quando são de qualidade e refletem intimidade. É normal termos o desejo de estarmos ao redor de pessoas que apresentem escalas de valores próximas das nossas. Neste sentido, uma má forma de viver seria habitar um ambiente não escolhido por aquilo que desejamos e ambicionamos mas sim pelos nossos medos.
Os relacionamentos que nascem do medo, ou da necessidade de estarmos acompanhados leva-nos a aceitar condições que podem ir contra tudo aquilo que nos representa enquanto indivíduos em oposição aos relacionamentos que são criados e mantidos pelo desejo incondicional de estarmos com a outra pessoa que nos fazem crescer e evoluir
O que nos guia nos relacionamentos nem sempre é constante e inicialmente pode advir da vontade própria e facilmente se transformar numa necessidade. É neste momento, em que deixamos morrer a nossa assertividade e damos espaço ao medo para proliferar e nos deixar presos aos relacionamentos em vez de os vivermos.
O objetivo das nossas relações interpessoais não é agradar toda a gente, é importante aprendermos a aproveitar os relacionamentos que nos fazem bem e por outro lado afastarmos as pessoas tóxicas na nossa vida, uma tarefa deveras difícil de realizar quando está com medo.
Se pensarmos bem, todos temos enumeras histórias em que aceitamos ir a algum sítio que não queríamos, lidar com pessoas que não queríamos, situações estas marcadas por sentimentos fortes de angústia e tristeza. Quantas vezes damos por nós a trair-mo-nos para agradar outras pessoas? Muitas vezes, claramente…
Essa linha fácil de cruzar existe quando o medo de ficarmos sozinhos supera o nosso amor-próprio. Do medo não advêm qualquer tipo de evolução pelo contrário apenas uma estagnação.
Como então podemos contrariar este medo natural? A resposta encontra-se no desenvolvimento da nossa assertividade. É importante que nas nossas relações interpessoais aprendamos a ser sinceros connosco e consigamos dizer não quando realmente é preciso. Claro que este processo é longo, e não é de forma instantânea que aprendemos a ser assertivos nos momentos cruciais das nossas relações, é um trajeto longo e vertiginoso, que em certos dias estamos a controlar as situações e noutros somos controlados por elas.
O mais importante é sabermos identificar quando o medo de estarmos sozinho toma controlo de nós, e nesses momentos termos uma força titânica para o contrariar, porque só assim podemos realmente viver os nossos relacionamentos.

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