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NÃO TENHO TEMPO

NUNO ANDRÉ
Acredito que esta expressão seja familiar aos nossos ouvidos quer seja porque regularmente a dizemos ou porque constantemente a ouvimos. Pelo caminho fica um convite, um momento, uma oportunidade. No fundo quem diz: “Não tenho tempo” adia nada mais que um pouco de si. Pela sua natureza corpórea, a Humanidade tem o tempo como parte integrante da sua existência. É pessoal, dinâmico, gerido autonomamente e assenta numa base de liberdade. É um pedaço de nós que dizemos faltar e que fica de parte, quando fingimos que não é nada connosco. Talvez seja cobardia dos fracos, pensar que não têm tempo para nada ou ousadia dos heróis, que o dão sem medo de o perder. Aquele que dá o seu tempo aos outros dá-se a si mesmo! Se me falta tempo, talvez seja eu que estou em falta… 
Cada minuto que “perdemos” com alguém que amamos é tempo que oferecemos e como desse alguém também o recebemos, podemos dizer que apenas o trocámos. São momentos mágicos e de amor onde o instante se torna eterno porque de mãos dadas com o tempo anda o amor. Ai de mim se não for capaz de amar! Ai de mim se não for capaz de me entregar! Só não tem tempo quem está morto e “morto” está, aquele que no seu egoísmo não tem coragem de dar um pouco mais. Em vez das trocas de prendas que estamos a pensar fazer este Natal, que tal trocas de tempo? De que serve oferecer um embrulho a alguém se ao longo do ano não somos capazes de o visitar ou de passar com ela um momento? Trocar euros por minutos… minutos da nossa presença. Basta de marcar presença de forma virtual, redutora e enganadora. No livro “O Principezinho” aprendemos que: “foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez dela uma rosa especial e diferente de todas as outras rosas.”

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