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QUANDO E PORQUÊ RECORRER À COLONOSCOPIA ?

ANTONIETA DIAS
A colonoscopia é um exame complementar de diagnóstico, realizado com um endoscópico, que permite observar o interior do reto e do colon (intestino grosso), bem como efetuar alguns procedimentos terapêuticos, designadamente retirar pólipos ou outras lesões benignas ou malignas e ainda controlar hemorragias pré existentes.
Este exame é aconselhado como método de rastreio de cancro do colon, e deve fazer parte dos exames complementares de diagnóstico de rotina nos doentes com idade igual ou superior a 50 anos ou mais cedo se existir histórico prévio na família de cancro do reto.
É sempre realizado por um médico especialista em gastroenterologia, que utiliza um aparelho (colonoscópio) que é flexível longo e fino, cujo diâmetro varia entre 1,0 e 1,3 cm.
O colonoscópio é introduzido pelo ânus, colon e termina no intestino delgado, tem na sua extremidade uma microcâmara que faz a captação e transmissão das imagens para um monitor, visualizando todos os segmentos do colon, havendo a possibilidade de gravar os aspetos mais relevantes que são observados durante a realização do exame.
Tem ainda uma característica muito importante como é articulado permite a visualização em vários ângulos no interior do colon, podendo por isso disponibilizar imagens suspeitas, que obrigam a retirar fragmentos (biópsias), posteriormente remetidos para exame histopatológico, cujo resultado fará o diagnóstico rigoroso das lesões, tornando-o indispensável na orientação terapêutica (médica ou cirúrgica) dos pacientes.
A colonoscopia serve assim como exame de rastreio, de diagnóstico e /ou de tratamento das doenças.
Durante a realização deste exame por vezes há necessidade de insuflar ar que poderá gerar dor e desconforto mais ou menos acentuado ao paciente.
Este exame é recomendado pela enorme importância que tem no diagnóstico e tratamento de muitas doenças do tubo digestivo (doenças inflamatórias, doença de crohn, cuja deteção é feita através da colonoscopia, bem como na prevenção e diagnóstico precoce do cancro colo-retal), porque permite a exérese de fragmentos do colon de lesões suspeitas, as quais são remetidas posteriormente para exame histopatológico.
Trata-se de um método relativamente seguro dirigido para dois grandes objetivos: diagnóstico e terapêutico. 
As suas linhas de orientação permitem fazer:
1- Exame de rastreio do cancro do colon
2- Investigação de sangramento intestinal
3- Investigação de alterações nos hábitos intestinais como por exemplo diarreias frequentes
4- Investigação de anemia por carência de ferro
5- Controlo de polipose intestinal
6- Investigação de dor abdominal crónica sem causa aparente
7- Confirmação de resultados anormais observados em exames não invasivos (radiografias, ecografias ou tomografias computorizadas).
A colonoscopia tem um tempo previsto para a sua realização que varia entre vinte e sessenta minutos.
Este exame pode ser feito com ou sem sedação, sendo a sedação mais ligeira ou mais profunda adaptada às características do doente.
Sempre que o exame é realizado com sedação é recomendável que o paciente fique no recobro 1 a 2 horas, após a conclusão do mesmo, todavia a recuperação total da anestesia só terminará no dia seguinte à realização do exame.
Se o paciente decide que a sua colonoscopia será efetuada sob o efeito de sedação, para sua segurança deverá fazer-se acompanhar por um familiar ou um amigo que o acompanhará no fim do exame.
Quando a colonoscopia se realiza com anestesia, o paciente deve ser esclarecido de que é desaconselhado trabalhar, utilizar máquinas perigosas ou mesmo conduzir.
Após a realização do exame e depois de terminar o recobro, se for esse o caso, poderá ingerir uma refeição ligeira quando chegar ao seu domicílio.
Apesar de a colonoscopia ser um meio de diagnóstico e nalguns casos de tratamento (por exemplo exérese de pólipos), bastante seguro, não estão excluídas algumas complicações que podem surgir numa percentagem de 0.2%, e o risco de morte é de 0.007%.
A s principais complicações que podem surgir com a colonoscopia são:
1- Hemorragias (perda de grande quantidade de sangue) intestinais
2- Cólicas
3- Perfuração do cólon, embora rara é uma situação grave
4- Efeitos laterais dos fármacos usados na anestesia
5- Propagação de doenças através do colonoscópio, quase excecional, mas possível e surge se o colonoscópio não tiver sido esterilizado adequadamente a seguir a qualquer exame, sendo por si só uma má prática médica (negligencia).
Sinais de alerta que obrigam a contatar com urgência o médico gastroenterologista que realizou a colonoscopia, devendo em
caso de indisponibilidade deste ser contatado outro médico:
1- Dor abdominal intensa (sem relação com as cólicas dos gases)
2- Presença de distensão abdominal marcada
3- Aparecimento de vómitos
4- Instalação súbita de um quadro febril
5- Retrorragias (sangramento nas fezes continuado e / ou de grande volume).
Em suma, apesar de a colonoscopia ser um exame de diagnóstico e /ou tratamento praticamente inócuo, existem riscos que devem ser comunicados aos pacientes para poderem ser tratados precocemente, para evitar complicações graves e eventualmente a morte.
Todavia apesar da existência destes riscos, considerados “ minor”, no contexto global de benefício “major”, para os pacientes, pois este método de diagnóstico permite salvar vidas através do rastreio e minimizar as sequelas se a doença já estiver instalada, uma vez que serve de alerta e orienta para o tratamento precoce e adequado da doença.
Incentivar a realização dos exames de rastreio preconizados faz parte das boas práticas médicas, devendo por si só ser uma regra básica da medicina preventiva e uma mais-valia para o paciente, família e para a comunidade.

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