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ELOGIO AO PENSAMENTO

LUÍSA VAZ
A grande vantagem das crónicas é que podem ser um relato, podem servir para contar uma história ou uma estória, podem versar a nossa especialização, a nossa formação profissional ou podem ser simplesmente um emaranhado de linhas com palavras aparentemente soltas que à partida só façam sentido para o seu autor mas que possam vir a ser descobertas pelo leitor mais cedo ou mais tarde.
E hoje não me apetece falar nem escrever sobre Política – essa minha paixão eterna que tem estado de uma forma muito activa muito presente na minha vida nos últimos meses. Voltei à política activa, às campanhas, aos programas e tudo isso me preenche mas hoje, tal como o Governo em funções, quero ser mais abstracta que concreta.
Quero pensar o geral e chegar ao particular, ou o nada para chegar a algum lado. Porque posso, será? Porque me apetece? Porque a Filosofia também faz parte da vida? Porque devemos parar para questionar ou simplesmente porque nem tudo tem que ser baseado na “vida real”? Porque a nossa única inspiração não deve ser essa ou porque acho que tenho o direito a divagar através da escrita de vez em quando? E tenho e é bom por isso vaguemos apenas através da palavra escrita, deixemos que os dedos pressionem as teclas e as palavras surjam e vão formando frases que vão formando parágrafos e por consequência, texto.
Vamos corrigindo os erros que o sublinhado vermelho tão rapidamente indica que estão lá porque não há nada pior que um texto com erros, com gralhas ainda pode ser perdoado mas erros não, isso é mau demais e o respeito por nós mesmos e pelos nossos putativos leitores exige-nos pelo menos isso.
Chego a meio do texto. A minha mente vagueia pelo caso da jovem americana que está em prisão perpétua porque foi vendida como escrava e quem a comprou abusou dela de todas as formas e feitios possíveis até ao dia em que ela pegou numa das armas que ele tinha em casa e o matou sendo a paga que a sociedade dá a esta jovem, que à época tinha 16 anos e uma vida de humilhação e dor, é uma sentença perpétua. Justiça, há? É possível que alguém não considere que esta jovem precisava era de conforto e acompanhamento psicológico? Penso nas inúmeras denúncias de assédio sexual que têm surgido e pergunto-me se está tudo doido? Se as pessoas não sabem viver com o poder e se o desejam apenas para subjugar o Outro?
Penso no empenho das pessoas nas suas relações pessoais, nos casos de sucesso, de insucesso e nos altos e baixos. Nas lutas quotidianas seja por estabilidade emocional ou profissional ou outra ou ambas e até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para a conseguirem.
Penso no estado do país e em como uns são claramente beneficiados em função de outros cujo papel é sustentarem essas benesses sem nada mais do que impostos receberem em troca.
Penso na forma como nos tentam manipular com as taxas do Sal ou a transferência do Infarmed para o Porto por uma razão meramente eleitoralista e que só vai causar transtorno e chatice.
Penso na chuva e no quão bom é que finalmente caia embora ainda um pouco a medo mas é melhor assim.

Penso…simplesmente penso e eu quero acreditar que isso continua a ser uma das maiores virtudes do Ser Humano e que há muitos que se esquecem que têm essa capacidade por ser mais fácil viver na ilusão de que tudo é fácil e simples.

Penso porque é o que sei fazer melhor e desta vez foi este o resultado Inusitado, inesperado mas espero que sirva para vos lembrar que o grande milagre da Vida é que sejamos capazes de pensar pela nossa cabeça e sermos os únicos responsáveis pelas nossas decisões e atitudes.

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