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COLOCAR O PONTO NOS «IS»

VERA PINTO
Os dias que correm estão cada vez mais frios,. Não sou eu que digo, mas as temperaturas negativas registadas nos termómetros, o manto branco que cobre as casas, os carros e campos, o “bater de dente” que se torna inevitável ao tirar o pé da cama . Em busca de mais conforto as pessoas concentram-se em centros comerciais, cafés e outros locais fechados cheios de gente, afinal o calor humano também é uma realidade e sabe muito bem. A chuva que ajudaria a subir ligeiramente a temperatura ambiental não aparece e aliasse a todos estes fatores criando o cenário ideal para o famoso Influenza saltar a ribalta.
O Influenza é o nome científico para o conhecido vírus da gripe que rejubila com este clima. As baixas temperaturas e a menor incidência de radiação ultravioleta aumentam as hipóteses de sobrevivência do vírus durante o tempo suficiente para poder ser transmitido de um indivíduo infetado para um indivíduo saudável. Surge febre alta e sentimos dores musculares, de cabeça, tosse, congestão nasal, pingo e, por vezes, olhos inflamados, estendendo-se o mal-estar por todo o corpo. Não é nada agradável: trata-se da gripe, uma doença viral que ataca o sistema respiratório. Doença viral, percebem? É disto que estamos a falar, de uma doença viral e não de uma doença bacteriana. Apesar de todas as campanhas publicitárias que têm sido colocadas em prática, mesmo com toda a informação disponível em jornais, revistas e à distância de um clique ainda existe quem persista em acreditar que as gripes se tratam com antibióticos. A lengalenga é sempre a mesma, mas o que mais me assusta são as pessoas que tratam deste assunto como uma verdadeira obsessão, porque não percebem ou não querem perceber que o uso indevido e inadequado dos antibióticos acarreta riscos não só para o indivíduo, mas para toda a população, tratando de um grave problema de saúde pública. Parece que recuperar a saúde e melhorar não é o que está em causa, mas ganhar a guerra da aquisição de um antibiótico, mesmo que este não seja o indicado e conduza a consequências negativas para a saúde. Entre elas:

O antibiótico pode passar a fazer menos ou até mesmo nenhum efeito;
Pode ser necessário tomar doses superiores do antibiótico para curar a doença;
Eventual necessidade de toma de um antibiótico diferente, mais “forte”, para obter o mesmo efeito;
Possível propagação a outras pessoas das bactérias resistentes, quer no meio hospitalar quer na comunidade;
Maior dificuldade em identificar antibióticos capazes de eliminar estas bactérias;
Poderem voltar a surgir doenças graves já consideradas controladas, como a tuberculose e em formas mais graves e difíceis de tratar.

Na maioria dos casos, a gripe é uma doença benigna e auto limitada, pelo que o tratamento é meramente sintomático. Interessa controlar os sintomas e evitar complicações, garantido desta forma que o organismo seja capaz de combater a doença. A automedicação não nos leva a lado algum, muito pelo contrário favorece a deterioração do estado de saúde. Não escute o vizinho ou familiar, peça aconselhamento ao profissional de saúde habilitado para o efeito.

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