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BIRD Magazine

UMA NOVA METAMORFOSE

INÊS LOPES
Quando olho em meu redor não vejo um sítio que deva ser habitado por seres humanos. Seres humanos… Serão realmente dignos de tal designação? Por vezes, é-me difícil aceitar esse conceito com que nos definimos, porque parece-me que cada vez menos se enquadra nos nossos modos de vida. Sei que, como ser humano que sou, é um pouco devalorizante pensar desta forma, e talvez até um pouco desrespeitoso, mas quando vejo situações como por exemplo a que decorre atualmente na Líbia, não vejo outra forma de encarar a sociedade, senão negando completamente o seu valor. Por mais artigos que leia, ou imagens que veja, vai-me ser sempre difícil aceitar completamente que é isso que está a decorrer neste momento noutro ponto deste mundo. Não dá para aceitar, porque parece simplesmente irreal. Tratam os outros, que também sentem, e que também respiram, como se estes fossem irracionais ao ponto de lhes ser atribuído um valor numérico e de serem tratados como meros objetos, ainda com o acréscimo de lhes serem atribuídas ordens.
Somos cada vez mais consumidos por infortúnios, que infelizmente, surgem mesmo debaixo dos nossos olhos, entre todos. Com isto, não pretendo afirmar que toda a sociedade é feita de males, pois tal como a maioria, construo as minhas reflexões e opiniões tendo por base generalizações. E é o facto de já ser uma generalização que torna tudo pior. Continuam a existir boas almas no mundo, isso é inegável, mas as suas ações são cada vez mais pequenas ao lado das daqueles que praticam o mal. A distinção entre bem e mal pode ser relativa, dependendo da maneira como cada um as perspetiva, mas talvez seja esse o problema. Se todos tivéssemos a mesma definição para bem e mal, tornar-se-ia possível encontrar uma harmonia na sociedade. Seria bom, mas seria complicado, e o ser humano tem o hábito de fugir daquilo que é complicado. E assim continuamos. Cada um com as suas crenças, com os seus motivos, com as suas opiniões… E o mundo cai no caos. Cada dia um pouco mais fundo. Cada dia um pouco mais desumano.
Já dizia Antero de Quental num dos seus poemas: “Anda o mal em cada hora e instante do dia.” E por sentirmos o bem, sabemos que poderíamos dar muito mais do que damos hoje uns aos outros, fazendo com que esse mal não desapareça. Porque não nos deixamos simplesmente viver? Temos tanta felicidade que podemos partilhar. Tanto ao nosso alcance nos permite gerar felicidade. O problema é que nunca soubemos usar o que temos (e que é mais do que suficiente) para moldar os nossos modos de vida. Não deixemos que as opiniões, os estatutos eas motivações pessoais nos corrompam, nos tornem invejosos, e nos façam fazer aquilo que nunca deve ser feito. Não deixemos que isso seja uma barreira para a evolução.Não sejamos a barreira. Vamos juntos contruir (ou destruir), para que possamos florescer da maneira certa.

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