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ALIMENTAÇÃO DOS DOENTES COM E.L.A

RITA TEIXEIRA
Ah! Que saudade de saborear os cozinhados que eu própria fazia! 
Ah, que maravilha sentir o sabor daquelas sobremesas e tartes que eu tanto gostava de fazer! Escondo esta saudade dentro de mim, para que ninguém se senta constrangido à mesa, durante as refeições. 
Esta maldita doença teve o seu início precisamente nas cordas vocais, quando me apercebi que certos fonemas não eram ouvidos. Contudo, no contexto da sala de aula., tal situação o acontecia, porque tinha que elevar o tom de voz, como seria completamente normal. 
Lentamente a deglutição foi-se agravando, levando-me a engasgar com certos alimentos. Um ano depois, 2010, já não mastigava e os alimentos começaram a ser triturados. 
Sem orientação médica, a minha alimentação passou a ser: sopa, cerelac, batido de frutas e leite creme. Pouco a pouco, sempre que comia, não conseguia engolir os alimentos, enquanto emagrecia drasticamente. 
Em 2014, ficou acordado que teria de passar a alimentar-me através de uma sonda mas só em 2015 fiz a cirurgia para a introduzir e um receituário para a minha alimentação. 
Segundo o enfermeiro, que deu instruções à minha cuidadora, eu só deveria tomar duas seringas de leite com pão de mistura de manhã, à tarde e ao deitar. Ao almoço e ao jantar, três seringas de sopa e uma de batido de frutas. 
No mês passado fui a uma nutricionista, que refutou toda a alimentação que eu fazia. Não era pela quantidade de seringas, mas pela quantidade de alimentos que o receituário indicava. Mais uma vez, a falta de sintonia entre as equipas que acompanham o mesmo doente!

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