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2018: O ANO REDONDO

Furtivo, o tempo leva – nos daqui para ali, e nem devia chamar -lhe tempo, porque é na nossa consciência que tudo se produz : o tempo, o espaço, o passado, o presente, o futuro…Mas, escravos que somos do calendário, dizemos que já passou um ano e que, hoje mesmo, é o segundo dia de outro que ostenta o número redondo de 2018. É redondo, não é? E como o círculo é a figura perfeita, em que as pontas se unem e o fim é princípio, podemos dizer que tudo é idêntico. Mas, dado que existe movimento, o de rotação e o de translação, diremos que, afinal, tudo mudou um pouco de lugar , e na imensidão do cosmos uma parcela ínfima (ou gigantesca, quem sabe?) alterou os ritmos e estamos hoje em outro dimensão qualquer .

Furtivo e insondável, o tempo transfere – nos daqui para ali; e por vezes damos connosco suspensos numa espécie de eternidade – porque a infinitude não pode medir -se e nenhum cronómetro é capaz de marcar todos os intervalos contidos no segundo, mesmo que lhes chamemos microssegundos, nanossegundos. ..ou outras microscópicas ou nanomicroscópicas designações. Outras vezes, o fluir torrencial apanha – nos de chofre;e percebemos que os anos passam por nós, qual cavalgada furiosa, e corremos ao espelho a espreitar a ruga insidiosa, o esgar desconhecido, as novas cãs a despontar na fronte.

Quantas ilusões e desilusões vamos somando aos dias do calendário e às horas do relógio, com a sua plêiade de minutos, segundos, etc., esquecidos de outras dimensões espácio-temporais, onde também existimos! Por mim, vivo o tempo de todos, onde absorvo muitos tiquetaques; e depois fecho os olhos e já não sei se é dia ou noite, tarde ou cedo, verão ou inverno.

Que importa, digam-me? Que urgências são essas que nos levam ao desespero, que corridas tresloucadas valem o desgaste das nossas vidas?

Dizem que só temos esta; e então é preciso agarrrá-la com vigor, ultrapassar quem tomou a dianteira, lutar com quem quer tomar o nosso posto, competir por lugares cimeiros na orgânica do mundo, ser finalmente bom e alcançar o sucesso.

Em nada disto acredito.

Creio firmemente que vivemos em múltiplas e paralelas dimensões, descarto toda e qualquer corrida, não me importa isso a que chamais sucesso e ser bom nem sempre significa mesmo…ser bom!

Por isso não tenho muito para dizer neste dia do ano redondo, a não ser o que já disse e soa, decerto, obscuro, e tudo o resto que também disse e fiz, para cumprir a tradição ancestral que o calendário marca.

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