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Filosofia

SÓ SEI QUE NADA SEI

A frase só sei que nada sei ou sei uma coisa: que nada sei (originalmente do latim: “ipse se nihil scire id unum sciat”, uma possível paráfrase de um texto grego antigo; também citado como “scio me nihil scire” ou “scio me nescire”; posteriormente retrotraduzido para o grego como “[ἓν οἶδα ὅτι] οὐδὲν οἶδα”, [hèn oîda hóti] oudèn oîda), por vezes chamado de paradoxo socrático, é uma frase muito conhecida derivada da narrativa de Platão sobre o filósofo Sócrates.

A frase também está relacionado com a resposta que se supõe Sócrates ter recebido da sacerdotisa (pítia), no Oráculo de Delfos, em resposta à questão “qual é o homem mais sábio da Grécia?”. E significa, jusramente, que quanto mais aprendemos, mais temos para descobrir.

Apesar de frequentemente atribuída ao Sócrates de Platão, nos tempos antigos e modernos, a frase não ocorre, tal como é dita e repetida, em nenhuma das obras de Platão.Dois proeminentes académicos estudiosos de Platão argumentaram recentemente que a frase não deve ser atribuída ao Sócrates de Platão.

No entanto, Platão relata, em sua Apologia de Sócrates, que:

[…] οὗτος μὲν οἴεταί τι εἰδέναι οὐκ εἰδώς, ἐγὼ δέ, ὥσπερ οὖν οὐκ οἶδα, οὐδὲ οἴομαι
[aquele homem acredita saber alguma coisa, sem sabê-la, enquanto eu, como não sei nada, também estou certo de não saber.]
A imprecisão da paráfrase como “só sei que nada sei”deriva do facto de o autor não estar a dizer que nada sabe, mas sim que não pode saber nada com absoluta certeza, mas pode sentir-se confiante acerca de certas coisas, nomeadamente em saber que não sabe.

Há vários Sócrates sendo que o de Platão é, decerto, o mais citado. O pequeno texto grego reproduzido acima, e retirado da Apologia de Sócrates, é a conclusão de um périplo que o filósofo grego terá levado a cabo pelas ruas e praças de Atenas depois de a pítia do templo de Delfos ter garantido, por mais do que uma vez, ser Sócrates o homem mais sábio da Grécia.
Após um exercício intenso de questionamento aos cidadãos atenienses, tidos como sendo os mais sábios, Sócrates concluiu: “Sou, com efeito o mais sábio entre os meus concidadãos, porque eu sei que não sei e estes, não só erram inúmeras vezes, crendo estar certos, como tão pouco reconhecem a ignorância”.

Não podemos ter a certeza se as coisas se passaram exactamente como escreve Platão. Muito menos dar credibilidade total a todos quantos têm interpretado a vida e a morte de um filósofo que não deixou obra escrita. Porém, seja como for, esta frase tão repetida, com propósito e a despropósito, “Só sei que nada sei”, incarna, de facto, uma lição valiosa.

Passaram muitos séculos desde o século IV a.C.

Somos detentores, hoje, de catadupas de informação e a elas acedemos velozmente e logo nos expomos perante os outros, afirmando saber. Nunca ouvi e li tantos disparates, tantas opiniões, tantos comentários a propósito de tudo.

Por mim, continuo, infatigavelmente, a demandar conhecimento e a negar dúbias certezas. E cada vez mais entendo a sabedoria do ateniense Sócrates – ou a douta – ignorância de quem sabe, apenas, que não sabe.

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