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VIDA ASSISTIDA… DE AMOR

Tem estado em discussão a dita “Morte Assistida” quer através dos respetivos movimentos a favor ou contra, nos meios de comunicação social, quer nos debates a pedido do Excelentíssimo Presidente da República ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) em vários locais do País e finalmente por parte de algumas forças políticas na Assembleia da República.

Tive o prazer de ter como Professora na Universidade do Minho, a Doutora Laura Ferreira do Santos que foi uma das pioneiras na defesa da Morte Assistida, tendo criado o Movimento Direito a Morrer com Dignidade. Foi uma professora exemplar e ficarei eternamente grato por tudo o que aprendi com ela (currículo oculto). Sobre este assunto comunicávamos frequentemente quer nas redes sociais, quer, na sua fase final, via telefone.

Nos debates a que tenho assistido constata-se que os argumentos a Favor ou Contra são baseados em “dogmas” que por muito interessantes que sejam, carecem de quaisquer evidências, o que impede a sua compreensão. Uns assentam no paradigma religioso/espiritualista, mas dogmático, e os outros no paradigma materialista/niilista mas igualmente dogmático. A juntar a tudo isto, também se constata uma polarização e radicalismo de posições SIM ou NÃO, onde por vezes se chega ao ataque pessoal, desviando-se da essência do assunto.

A título de exemplo, verifica-se que o SIM para a despenalização, baseia-se (entre outras) na seguinte premissa:

“A eliminação de profundo sofrimento físico ou psicológico sem esperança de cura ou de alívio razoável.”

Qual o fundamento ou a evidência que a Morte (assistida ou não) elimina o sofrimento (que vai para além da dor meramente física!)?

Do lado do NÃO vemos como argumento “A vida é inviolável e sagrada e só Deus poderá decidir quando esta termina”. Será mesmo assim?

A Doutora Laura Ferreira do Santos, quer em debates televisivos quer a mim próprio, aquando das nossas “discussões saudáveis” sobre o assunto, dizia que uma afirmação carece sempre de um fundamento!

Curiosamente, não me revejo totalmente em nenhuma das propostas que se conhecem. Todos têm “razão” com os dados que têm, mas estes são excludentes. É necessário ir mais longe!.

Perante este dilema de argumentos ilógicos e/ou refutáveis (alguns), para os dois lados, teríamos alegadamente aqui um empate técnico! Que fazer?

A minha proposta é ir mais além! Promover a investigação que falta para fazer e a consequente!

Uma qualquer “verdade” sobre um assunto, ainda que relativa, terá de ter a confirmação e a participação de todas as áreas do saber humano, para evitar o que muitos sofram em silêncio, de dissonância cognitiva.

Quando somos chamados a decidir sobre um assunto, Morte Assistida” será interessante obter a maior informação sobre a mesma e com base no raciocínio lógico, evidências científicas e inspiração (tipos fundamentais de conhecimento segundo Ken Wilber), e optar pela proposta que conduza a mais ética. Pois não há Ética sem Amor, nem Amor sem Compaixão.

É pois necessário subir no patamar do conhecimento, ao nível mais profundo do “Eu”, da “Consciência” e da “Espiritualidade”. Não se trata de anular conhecimentos até agora adquiridos no campo da matéria (cada vez menos matéria, que o digam os neutrinos!), mas sim complementar com o conhecimento das áreas da espiritualidade, do desenvolvimento transliminar. É preciso promover investigação séria (Laboratório de Interação Mente-Matéria de Intenção Terapêutica; BIAL, Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência, etc), credível, pois como infelizmente sabemos, esta temática do conhecimento da morte e pós morte, dá azo a muita fraude, alucinação e precisamos de Idiofania Paranormal Verídica.

Na Declaração de Veneza, no colóquio “A Ciência Diante das Fronteiras do Conhecimento”, pode ler-se:

“O conhecimento científico, devido a seu próprio movimento interno, chegou aos limites em que pode começar o diálogo com outras formas de conhecimento. Neste sentido, reconhecendo as diferenças fundamentais entre a ciência e a tradição, constatamos não sua oposição, mas sua complementaridade. O encontro inesperado e enriquecedor entre a ciência e as diferentes tradições do mundo permite pensar no aparecimento de uma nova visão da humanidade, até mesmo num novo racionalismo, que poderia levar a uma nova perspetiva metafísica. (…) O estudo conjunto da natureza e do imaginário, do universo e do homem, poderia assim nos aproximar mais do real e nos permitir enfrentar melhor os diferentes desafios de nossa época”.

Assim, é preciso ir mais longe, o dogmatismo religioso e o materialismo científico têm que dar lugar ao estudo multidisciplinar, neste caso, sobre a morte (biológica), e para lá da morte (biológica), de forma ética e neutra. Munidos dos novos dados inclusivos, será possível opinar sobre o assunto. Enquanto tal não ocorrer, qualquer decisão é “manca”!

Esta é a reflexão que falta a nível científico! Esta é a reflexão que falta a nível “espiritual”. Com “novas” informações inclusivas, baseadas em evidências científicas, teríamos sim fundamentos para conscientemente optar por uma das alegadas soluções!

É esta a reflexão que tenho feito aos longos dos anos e que me permite promover a VIDA ASSISTIDA DE AMOR, para todos os Seres, em qualquer Espaço/Tempo.

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