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ASSÉDIO SEXUAL

“Assédio sexual: conjunto de actos ou comportamentos, por parte de alguém em posição privilegiada, que ameaçam sexualmente outra pessoa.” (https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa)

Tenho-me sentido literalmente aturdida com as notícias, atitudes e comportamentos propalados pelos meios de comunicação social referindo casos de mulheres vítimas de assédio sexual.
Analisemos detalhadamente a expressão “vítima de assédio sexual”.
Uma vítima é, por definição, aquele/a que é sacrificada/o ao interesse de outrem; o assédio é um acto de cerco, de pressão sobre alguém; o adjectivo sexual diz, obviamente, respeito à prática (ou intenção de prática) do sexo. Logo, essas mulheres que agora se expõem mediaticamente, foram, em qualquer momento das suas vidas, sacrificadas aos interesses de outrem, através de actos de cerco ou de pressão, tendo por objectivo a intenção ou a prática de sexo.
As actuais notícias envolvem, principalmente, as mulheres do meio cinematográfico, especificamente em Hollywood. Elas são, maioritariamente, actrizes e os prepertadores do cerco, os que com elas contracenam – os actores – e ainda realizadores, entre outros possíveis.
Nada ouvi ou li acerca de vítimas masculinas do referido assédio; presumo, assim, que nesse meio específico, os homens detêm o poder e a força capazes de fazerem o cerco e activarem a pressão sobre mulheres impotentes e/ou submissas, incapazes de se defenderem.
Custa – me assumir que os homens da indústria cinematográfica tenham um tal poder sobre as mulheres do seu meio; ao mesmo tempo, repugna-me aceitar que as alegadas vítimas sejam desse modo impotentes e/ou submissas.
Sabemos (ou deveríamos saber) que homens e mulheres apresentam evidentes diferenças do ponto de vista físico, psicológico ou emocional. Exprimem essas diferenças também no campo sexual sendo que, por peculiaridades anatómicas objectivas, o homem é aquele que possui o órgão da penetração enquanto a mulher deve abrir – se para o receber. Logo, numa perspectiva básica, o homem é activo e a mulher passiva; o homem fende, a mulher deixa-se fender.
Culturalmente, o papel do homem e da mulher foi – se alterando. Diz-se que, hoje, as mulheres são emancipadas e o seu estatuto humano, em tudo o que concerne ao termo “humano”, é equivalente ao dos homens. Porém, no campo da sexualidade, nada mudou: o órgão sexual masculino continua a ser de ataque e o da mulher de receptividade.
Reduzamos o problema à sua dimensão simples. Se uma mulher se queixa de assédio sexual isso pode significar que ela, mostrando – se receptiva ao homem, por múltiplos sinais, não aceita, depois, o ataque masculino e, caso ele avance, movido por impulsos da sua específica natureza, ela mostra – se ofendida e rejeita -o.
De que modo pode uma mulher mostrar – se receptiva, sexualmente falando?
Vejamos. Uma mulher que se apresenta vestida e arranjada de modo a exibir o corpo e os seus atractivos físicos, assumindo posturas e gestos de suposto convite aos homens, presentes no seu raio de acção, mesmo que disso possa não ter uma consciência nítida ou que afirme ser esse comportamento um direito seu e que, se assim procede, é porque lhe agrada, está, na prática, e atendendo à idiossincrasia masculina, a fazer um convite. “Estou a mostrar – te o corpo para que tu avances!” – eis a mensagem que transita da mulher para o homem, obliterado o factor cultural.
Ao longo dos tempos foi sempre esta a dinâmica sexual entre homens e mulheres. A mulher quer um homem; e logo faz apelo aos seus dotes físicos, potencia – os, e procura um local onde tais atributos possam chamar a sua atenção. Pode acompanhar a exibição física com um conjunto de posturas e de sinais e dirigi – los para um ou vários alvos seleccionados os quais lhe corresponderão, abordando – a e fazendo o jogo recíproco.
Agora imaginem uma mulher que não deseja um homem, mas, mesmo assim, arranja – se de modo a realçar os seus dotes físicos, assume posturas, tidas como provocantes, e dirige – se a um local de diversão onde se confunde facilmente com o outro tipo de mulheres. Se os homens tentarem a aproximação, reagindo ao que julgam ser sinais inequívocos de oferta, terá a mulher visada razões objectivas para se considerar assediada?
Pelo que me é dado observar, a oferta e a procura recíproca no campo sexual são explícitas, de dia ou de noite, na rua ou em locais de diversão públicos. São – no ainda no plano virtual, de múltiplas maneiras, já que as mulheres (e também os homens) ostentam a sua figura, publicando fotografias e videos e aceitam, com prazer, os elogios. Muitas delas darão continuidade, em privado, aos actos de sedução que protagonizaram publicamente (porque na Internet não há privacidade).
A minha questão é : de que modo essas queixosas de Hollywood se expuseram aos homens para possibilitarem o assédio de que agora se queixam?
As mulheres poderão afirmar que, se são belas, atraentes, vistosas, etc. e o exibem, realçando os dotes, com vestuário revelador, maquilhagem, etc. , estão no seu direito e ninguém deve criticá – las; os homens, pelo seu lado, irão ver nessa exibição um convite subliminar à luxúria.
Muitos serão capazes de se conter, resistindo. Outros acharão que, perante o convite, mais ou menos explícito, devem arremeter, sob pena de verem a sua masculinidade posta em causa – de si para si mesmos, perante os outros homens e mesmo aos olhos dessas que se exibem.
Uso o termo “exibem” com plena consciência. É que vivemos na “sociedade do espectáculo” ( Guy Debord , 1967) e também na “civilização do espectáculo” (Mario Vargas Losa, 2012), pelo que quase todas as atitudes de quase todos os humanos trazem essa marca. São espectáculo.
E agora vejamos: têm as mulheres direito a exibir a sua feminilidade, potenciando os atributos, de modo a fazerem jus ao padrão vigente da beleza, por ele estabelecida ( esse mesmo padrão decorrente de uma multiplicidade de espectáculos de exibição )? Numa sociedade livre e democrática, mesmo sendo “a sociedade do espectáculo” têm, evidentemente; e, se essa atitude for muito importante para a sua afirmação, como mulheres, se daí depender o equilíbrio fisico/emocional da pessoa, sem dúvida!
E os homens, vejamos também : podem observar o espectáculo (ou seja, as mulheres que, desse modo, exibem atributos ), aplaudir como em qualquer espectáculo, tentar ver de perto, ainda como num espectáculo, chegar à fala, tocar, quem sabe, como aqueles que tudo fazem para sentir a textura e o calor daquela/e a cujo espectáculo assistem?
Como estamos a falar de espectáculo e todos estes gestos e actos são válidos em espectáculos, é evidente que (por muito que custe admiti-lo) os homens, da mesma sociedade livre e democrática em que se movem as mulheres, antes referidas, podem fazer tudo isto!
Entretanto, mudemos um pouco a óptica desta análise.
Se as mulheres podem exibir – se de um modo que sabem ir provocar comportamentos de admiração, regozijo, entusiasmo, excitação, etc. vindos do lado masculino, precisam de estar preparadas para lidar com essas atitudes. Tal preparação variará consoante a personalidade da mulher visada, oscilando entre a indiferença, o regozijo, a vaidade, o incómodo, a repugnância, a preparacao física(para atacar, em última instância ), etc. Em função do seu carácter, a mulher poderá lidar com isso, naturalmente, sabendo que agrada e aceitando as consequências, mudar os seus hábitos, para ser deixada em paz, sentir-se ofendida e fazer queixa às autoridades, achar que está a ser vítima de assédio, etc.
Creio que, exactamente, o que está a passar – se com as actrizes de Hollywood se enquadra neste ponto: elas, pela inevitabilidade da profissão, por necessidade intrínseca, por precisarem de chamar a atenção sobre si num meio onde a imagem vale muito, foram aceitando as reacções, mais ou menos exuberantes dos colegas e de outros ligados à indústria do cinema (notem este termo que aqui utilizei: indústria). Com efeito, o cinema é considerado uma arte, enquanto arte rege – se por parâmetros comuns a outras actividades artísticas; mas é também, decerto de modo esmagador, uma indústria. Enquanto indústria, produz filmes cuja matéria – prima são os actores/actrizes, guiados por realizadores e envolvendo todo um conjunto de pessoas (basta ler o genérico do pior ou do mais insignificante dos filmes para ter uma ideia desse conjunto.). Enquanto indústria, visa o lucro e, por essa razão, necessita que a matéria – prima seja rentável; quanto mais “espectacular ” for o produto, no todo e nas partes, mais rende.
Logo, todas essas mulheres ofendidas, agora, precisaram, há alguns anos, de exibir os seus dotes no que diz respeito à imagem, em primeiro lugar, para chamarem a atenção do dono da empresa; depois, o talento ou o trabalho impuseram – nas, a ponto de já não precisarem de expor-se tanto. E mesmo actrizes sem talento, mas com boa imagem, entraram na indústria para representarem papéis em filmes medíocres ou maus, na medida em que expuseram os seus dotes físicos.
Os seus colegas e outros elementos ligados à indústria reagiram aos encantos delas, e fizeram -no de muitas maneiras. Muitos juntaram – se – lhes, foram viver com elas e tiveram filhos, outros casaram e também tiveram filhos, delas, alguns ( ou muitos) galantearam – nas, sem sucesso, outros com sucesso e, no meio de toda essa complexidade relacional de uma indústria complexa, certamente houve comportamentos inadequados, de parte a parte. Ou seja: dos homens que foram longe demais e das mulheres que aceitaram essa viagem para obterem privilégios, somente.
Quanto ao designado assédio sexual que tanto alardeiam agora, destruindo a reputação daqueles a quem, antes, permitiram liberdades para conseguirem estatuto, creio que será, somente, residual.
Obviamente existe assédio sexual. Obviamente não é agradável ser vítima dele. Obviamente que ser cercada/o por um homem ou mulher, porque a questão não pende só para um lado, perseguida/o, eventualmente tocada/o, contra a vontade é muito constrangedor. Mas não podemos esquecer – nos de um facto.
Por mais civilizada que seja a espécie humana, os instintos não a abandonaram. Estão presentes em cada ser humano, todos. O impulso sexual é um instinto básico, primário, portanto. Um homem ou uma mulher acometidos pelo desejo sexual perdem, total ou parcialmente, o discernimento racional. Nessa altura comportam – se como seres animais que, efectivamente, são.
Pode objectar-se que a cultura, o pensamento, a moral, os bons costumes (…) devem exercer o seu controlo sobre a animalidade subjacente a cada ser humano e impedir este e muitos outros comportamentos reprováveis. “Devem”, reparemos neste verbo “dever”; mas, inúmeras vezes, o dever não vence o instinto.
E é por isso que existe assédio sexual, violência doméstica, violação, pedofilia, homicídio, guerra, tortura, e tantos outros crimes humanos, apenas humanos ( porque os designados animais irracionais não cometem, nunca, crimes) e só terminarão quando a racionalidade puder vencer a animalidade por completo e o homem estiver, de facto, inteiramente de posse da sua humanidade. E quando escrevo “homem” incluo nesta designação, a mulher.


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