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A MECANIZAÇÃO DA INDÚSTRIA MUSICAL

A escrita como fonte de comunicação é sempre condicionada por factores externos (ambientais, sociais, etc) e internos (estado emocional, memórias, etc).

Como músico compositor, não sei bem quais são os que me influenciam mais…e muito honestamente, se haverá vezes em que me deixo influenciar.

Naturalmente estarão todos interligados. A minha inércia, a minha vontade, os condicionantes internos e externos e a antevisão do impacto que poderá surtir no “público alvo”.

Como evoluiu o compositor, as discográficas, os agentes, todos os intervenientes e estádios desde a ideia à finalização de uma música. Passamos da revelação de um artista, ou descoberta de um “diamante” em bruto, único , original, para a procura de alguém com características pré-definidas, num contexto limitado e extrapolado de experiências artísticas anteriores com vista a um sucesso de vendas.

Serão as músicas projectadas para ser o próximo número um das tabelas de vendas, ou o resultado da partilha do intelecto de um ser para outro?

Fala-se muito em “equipas” inteiras a trabalhar em conjunto para determinados artistas de música, com a finalidade de descobrir uma “fórmula” que cative os nossos sentidos e desta forma permaneça na nossa mente , mesmo que quase inconscientemente, tornando-se “viral”.

Quando os ouvintes estão à procura de uma estação de rádio, ou uma “playlist” que irão gostar, cada música tem alguns segundos antes de ser rapidamente trocada por outra. A razão para desistir de uma música poderá estar no simples facto de o ouvinte não ter paciência para esperar pela melodia e as letras fazerem sentido, ou serem simplesmente cativante, “fácil de ouvir”. As melodias e as letras demoram tempo a serem construídas, o que não demora tempo nenhum para avalia-la é o som. Podemos rapidamente julgar uma música em questão de segundos. Percebemos o estilo, se é mais calma ou agitada, simples ou sofisticada e se vai ao encontro do nosso interesse.

Com um acesso mais fácil á produção musical, cada vez existem mais artistas, com sonoridades distintas e com variadíssimas ofertas.

Longe vai o tempo em que uma música complexa cativasse pela diferença, pela exposição da alma nua e crua , da paixão e dor reais do autor, desde o momento de escrita até ao registo do trabalho.

Existem técnicas e profissionais especializados para analisar um “demo” e transforma-la num êxito, recorrendo a fórmulas construídas através de estudos que incidem na histórica da música, produção musical e contexto social. os chamados “engenheiros musicais” constroem melodias apropriadas a um tipo de letra e género musical , realçando as qualidades , pontos fortes, dando uma nova “roupagem” a uma melodia inicial. Transformam-na num “hit” musical, entrando quase que de imediato nas tabelas de vendas. Melodias fáceis de memorizar, com repetições nas métricas e letras simples e curtas parecem ter maior resultado.

Agora pergunto-me, será isto evolução? A música é a linguagem universal, deverá ser o instrumento de propagação de mensagens, de alento de força… de sentimentos. Não estaremos a condenar uma vez mais o ser humano ao pré-concebido, ao “menos humano”?

Serei eu suspeito para opinar mais sobre o assunto, por isso escrevi esta crónica como forma de tentar perceber o que vai nas vossas mentes.

Deixem a vossa opinião, sobre a realidade da industria musical actual.

Todos aprendemos uns com os outros, e enquanto viver pretendo aprender.

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