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SIM, O CORAÇÃO DÓI

 O mito já é muito antigo. A sua origem não deixa de ser curiosa, visto que, está de tal forma enraizada que são muitas as pessoas, inclusive profissionais de saúde, a dizer que o coração não dói. Pois bem, tal como comecei por escrever, não passa de um mito e sim, o coração dói mesmo. Aposto que todos os enamorados estarão de acordo comigo. Afinal, quem nunca sofreu um desgosto de amor? Uma desilusão tão grande, capaz de desencadear sintomas tão agonizantes, como fortes dores no peito, falta de ar, fraqueza generalizada, ritmo cardíaco irregular que podem mesmo dar a sensação de que se está a ter um ataque cardíaco. Em casos extremos, como o luto por um companheiro recém-falecido, o coração pode dar mesmo sintomas de estar a falhar. Os cardiologistas chamam-lhe cardiomiopatia de Takotsubo ou cardiomiopatia por stress. Em causa estará uma reação negativa ao aumento vertiginoso de hormonas do stress, como a adrenalina, que provocam um estreitamento nas artérias que ligam ao coração e o sangue não é bombeado de forma eficiente. Felizmente esta situação a que muitos apelidam de síndrome do coração partido é reversível. A normalização da produção hormonal restabelece o normal fornecimento sanguíneo cardíaco e os sintomas desaparecem. Contudo existem outros casos cuja resolução não é tão simples, como a obstrução arterial causada por placas de gordura. À semelhança dos desgostos de amor o sangue também não chega como deveria ao músculo cardíaco. Esta falta de oxigenação do coração, causada por um fornecimento deficiente de sangue pode causar um enfarte do miocárdio (músculo cardíaco), vulgarmente conhecido como ataque cardíaco. Noutras situações como inflamações do pericárdio (membrana que recobre o coração), causadas tipicamente por infeções virais, problemas nas válvulas cardíacas e doenças da aorta, a privação em oxigénio dos tecidos também causa uma dor compressiva e constante que não passa facilmente. Desta forma, seja por um desgosto amoroso, por uma infeção viral, por um enfarte ou problemas nas estruturas cardíacas, todas elas têm em comum a falta de oxigenação do músculo cardíaco que entra numa condição denominada de isquemia.  As reações anaeróbias (visto que não existe oxigénio) levam à produção de ácido lático, uma substância capaz de estimular as terminações sensitivas do músculo do coração, provocando uma sensação de desconforto queimação ou dor. Acredito que na base do mito possa estar o facto de no coração não existirem todos os tipos de terminações sensitivas como existem na pele, por exemplo. Ao ponto de ser possível que, se o coração fosse um órgão de mais fácil acesso, pudesse ser manuseado, cortado, costurado, sem a necessidade de anestésicos. Esse ‘tipo de dor’, o coração não é capaz de produzir. Mas, o coração tem recetores sensíveis à isquemia que são ativados em situações de ausência de oxigénio, que são verdadeiras sentinelas e fornecem uma ajuda preciosa em casos de doenças graves nas quais todos os milésimos de segundos contam. Assim, não esqueçam que todo e qualquer tipo de dor no peito deve ser referenciado ao médico clínico geral ou cardiologista.

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