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FERNANDO PESSOA VISTO POR ROBERT BRÉCHON

Professor, ensaísta e lusófilo francês, Robert Bréchon é reconhecido como um dos principais especialistas em França na vida e obra de Fernando Pessoa. Robert Bréchon começou a aprender o Português aquando da sua estadia no Rio de Janeiro, cidade na qual desempenhou o cargo de diretor do Liceu Francês. Curioso da cultura portuguesa, em 1962, obteve o posto de diretor do Instituto Francês de Lisboa, funções às quais se acrescentavam as de conselheiro cultural da Embaixada de França. A estadia de Robert Bréchon em Portugal constitui-se ainda como um período crucial no seu percurso do escritor, onde estabeleceu contactos com vários autores no meio literário português, mas também pela descoberta de Fernando Pessoa. “Fernando Pessoa et ses personnages”, publicado na revista Critique, nº 251, em abril de 1968, foi o seu primeiro artigo sobre o poeta de “A Mensagem”. Em 2013, teve lugar em Paris, o lançamento da antologia poética de Robert Bréchon: Ecos Reflexos Miragens Poemas (1947-2002), uma edição da Afrontamento (Coleção Obscuro Domínio), inteiramente apoiada pela Delegação em França da Fundação Calouste Gulbenkian. A tradução é de Maria João Fernandes e de Caroline Mascarenhas, o prefácio de Maria João Fernandes e o posfácio de Eduardo Lourenço. O livro esteve presente na homenagem que foi dedicada a Robert Bréchon, a 16 de janeiro de 2013, na Fundação Calouste Gulbenkian de Paris, no contexto da exposição comissariada por Maria João Fernandes, Artistas Poetas e Poetas Artistas Poesia, Artes Visuais do século XX em Portugal que Robert Bréchon prefaciou, juntamente com Gilbert Durand. O seu prefácio recebeu o título inspirado em Fernando Pessoa: Avant Tout, la Tendresse. A apresentação esteve a cargo de Eduardo Lourenço, de Guilherme de Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura e de Maria João Fernandes. Robert Bréchon viveu em Lisboa de 1962 a 1968.

Quando cheguei a Paris, em 2009, alguém me disse que Robert Bréchon era “um radical pessoano”. Na altura, apenas conhecia de nome esse lusófilo que um dia escreveu que “é através de Pessoa que Lisboa entra verdadeiramente na literatura universal”.

Portugal deve imenso àqueles que, no estrangeiro, se apaixonaram pela sua cultura e que na respetiva promoção ocuparam grande parte da sua vida. Bréchon, que há dias nos deixou, nasceu para a língua portuguesa no Brasil, quando aí trabalhou pela cultura francesa. Depois, quando viveu em Lisboa, onde fez um trabalho notável à frente do Instituto Francês, soube abrir-se às correntes intelectuais portuguesas, de diversa orientação. Foi por Lisboa que “descobriu” Pessoa, tendo mais tarde, com Eduardo Prado Coelho, sido responsável pela edição, na editora francesa Christian Bourgeois, das “Oeuvres de Fernando Pessoa”. Tornou-se um dos grandes especialistas internacionais na obra do poeta português ‘Fernando Pessoa’, sobre a qual publicou vários trabalhos.

Mas muito mais lhe ficamos a dever, numa dedicação que merece a nossa homenagem e o nosso reconhecimento.

http://duas-ou-tres.blogspot.fr/2012/08/robert-brechon-1920-2012.html (Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal em Paris).

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