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BREXIT PONTO DE SITUAÇÃO

O tempo voa e passados um ano e oito meses do Referendo em que ditou o Brexit, passado onze meses de o Governo Britânico ter accionado os mecanismo formais para a sua saída, a treze meses da saída do Reino Unido da União Europeia e sendo este Sábado o dia em que os imigrantes europeus estarão a celebrar por todo o Reino Unido “ONE DAY WITHOUT US” ou “ONE DAY WITH US”, acho que é uma boa altura para fazer um ponto de situação sobre o Brexit.

BREXIT MEANS BREXIT

Infelizmente, uma das conclusões que cedo retiramos desde o referendo é que os grandes apoiantes do Brexit foram os primeiros a fugir e hoje é claro que os BREXITERS NÃO TINHAM NENHUM PLANO.

Se aparentemente houve progressos em Dezembro nas negociações, no qual foi estabelecido um “acordo de intenções” sobre a situação dos Cidadãos Europeus a residir no Reino Unido e dos Britânicos a residir na União Europeia, sobre os aspectos financeiros do divórcio e também foi estabelecido a não existência de uma fronteira física entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, SEM O ACORDO ECONÓMICO FUTURO NADA ESTÁ DEFINIDO.

Também já percebemos, que uma SAÍDA DA UNIÃO EUROPEIA SEM ACORDO é suicidária e que NÃO EXISTE APOIO DO PARLAMENTO BRITÂNICO. Outra percepção que temos é que dois anos para uma saída “tranquila” não é suficiente e SERÁ INEVITÁVEL UM PERÍODO DE TRANSIÇÃO.

Apesar de Theresa May logo que tomou posse como Primeira-Ministra apressadamente usar o cliché “BREXIT MEANS BREXIT”, Brexit é um tema que divide a sociedade Britânica e principalmente divide de forma profunda o Governo. Ainda hoje NÃO SABEMOS O QUE O BREXIT SIGNIFICA para o Governo e para o Reino Unido.

GLOBAL BRITAIN

Outra mensagem como foi “baptizada” a saída do Reino Unido da União Europeia foi a GLOBAL BRITAIN. Uma visão que no meu entender mobiliza os Cidadãos, mas contraditória e difícil de alcançar no curto prazo. Com a saída do Reino Unido da União Europeia, automaticamente deixa de usufruir dos 67 acordos comerciais que a União Europeia tem com os outros países. Por exemplo, os fabricantes de automóveis Britânicos viram suas exportações para a Coreia do Sul mais que triplicar em valor nos cinco anos após o acordo ter sido aplicado em 2011. Segundo o Observatório de Políticas Comerciais do Reino Unido da Universidade de Sussex(https://blogs.sussex.ac.uk/uktpo/2018/02/06/manufacturing-industry/), que estudou como o Brexit afectará a Indústria Transformadora Britânica, de forma muito sucinta, uma das conclusões retiradas deste estudo é a DIFICULDADE DE COMPENSAR O IMPACTO ECONÓMICO NO REINO UNIDO SE AS RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE A UNIÃO EUROPEIA SE ALTERAREM PROFUNDAMENTE.

Apesar de o Governo Britânico ter retirado do seu discurso político “NO DEAL IS BETTER THAN A BAD DEAL”, continua a defender que não quer um acordo como a Noruega, que apesar de não fazer parte da União Europeia beneficia do Mercado Único, no qual nos termos do acordo ficaram asseguradas aos países-membros da EFTA (European Free Trade Association) as quatro liberdades fundamentais da Comunidade Europeia: a livre circulação de mercadorias, de pessoas, de serviços e de capitais. Acontece que o Reino Unido quer todas as vantagens do mercado único que lhe continuará a dar acesso a mais de setenta acordos comerciais com outros Países fora da União Europeia, mas sem a livre circulação de pessoas. O Reino Unido afirma que quer um acordo idêntico ao do Canadá mas com mais e mais e mais (plus, plus) …. Isto será impossível de alcançar.

TAKE CONTROL OF OUR COUNTRY

Segundo as sondagens a primeira razão para a votação do Brexit foi a soberania, ou seja, foi a defesa dos destinos do seu País serem feitos por eles, por outras palavras foi a defesa da  Democracia Parlamentar. Acontece que em todo este processo o que se observou foi o Governo Britânico insistentemente a querer retirar do Parlamento a discussão sobre a futura relação entre o Reino Unido e a União Europeia. Infelizmente os nossos líderes de hoje usam mensagem fortes que mobilizam os Cidadãos, mas na prática fazem o contrário. BREXIT TEM QUE SER ESCRUTINADO PELO PARLAMENTO.

A segunda razão para suportar a saída da UE foi a imigração e percebe-se porquê. Com a crise de 2008, os fluxos de migração vindo dos países mais afectados aumentaram muito e foram muitos os que escolheram o destino o Reino Unido. Muitas cidades que tinham um rácio em 2005 de 1 para 50 imigrantes em 2015 passou de 1 para 4. Percebe-se que uma mudança desta num espaço de tempo tão curto traga alguns problema de integração, não só para os “nativos” como para os novos residentes. Depois, como existe um desinvestimento nos serviços do estado social, tornando-o em muitas partes do Reino Unido ineficiente e caótico, as pessoas associam esta situação ao aumento da imigração. Este ponto deve ser desmistificado. Pois, por norma a imigração é positiva, os imigrantes são contribuintes líquidos do sistema e frequentemente quando estão na reforma voltam aos seus países de origem. Numa economia que se quer a crescer como a do Reino Unido, não é compatível uma imigração líquida de apenas 10.000 ao ano. Especialmente contabilizando com os estudantes estrangeiros, onde as Universidades Britânicas são as maiores beneficiárias. Segundo estudos da University College London os imigrantes contribuíram para a economia Britânica £20 mil milhões entre 2001 e 2010, segundo outro estudo feito pelo The Officer for Budget Responsibility se até 2062 a imigração líquida for de 140.000 por ano, o défice do sector público será 99% do seu PIB e se a imigração líquida for de zero então poderá ser de 174%. Serão afectados os serviços públicos. Para não dizer, que 30% do staff do serviço nacional de saúde são imigrantes.

O compromisso estabelecido em Dezembro em que não haverá fronteira física entre as duas Irlandas, ficamos ciente da dificuldade de implementação do Brexit, sem pertencer ao mercado único ou à união aduaneira europeia. Ou seja, este é um processo que não parece ter fim, em que há recuos e avanços. Também ficamos com a impressão que a possibilidade de saída da UE em dois anos foi definido para ninguém sair.

Sinceramente eu acho que o resultado do Referendo deve ser respeitado, mas também quero o melhor para o Reino Unido, se chegarmos à conclusão que é um erro a sua saída acho melhor encontrarmos uma solução. Pois acredito no PROJECTO EUROPEU COMO UM PROJECTO PELA PAZ.


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