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A VIDA POR UM FIO

É stressante quando temos uma vida na mão.

É preocupante quando podemos fazer a diferença mas optamos por nada fazer.

Somos racionais. Mas por vezes somos mais comodistas do que racionais. Não pensamos. Deixamos que filtros e aberrações tomem conta do nosso coração e este esconde-se, fecha-se, anula-se. É nessa altura que deixamos de nos preocupar com  próximo, seja ela qual for. O preocupante é que grande parte da nossa sociedade está neste estágio. Encerramos o nosso coração atrás de grades de crueza e deixamos que tanto nos passe ao lado. O outro não importa, a menos que nos sirva.

Ia de viagem quando, como em tantas outras ocasiões, um pássaro bateu no carro. Pelo retrovisor vi aparecer o seu corpo que ficou estatelado no chão. Parei de imediato e corri para o sitio onde estava. Pedia em silêncio para que nenhum dos outros carros o pisasse e o tornasse, como a tantos animais que se vê pela estrada, parte do asfalto. Abeirei-me dele e vi que estava em choque, mas não morto. Peguei nele e levei-o para o carro. Pousei-o numa luva e deixei-o descansar. Dei-lhe duas gotas de água e aguardei. Perdi meia hora de viagem, o bastante para que se recompusesse e voltasse à vida dele. Gostei de o ver esvoaçar de novo pelo seu habitat. Antes de levantar voo, parou na janela do carro e olhou para mim, como a agradecer.

Ainda tirei uma foto para a posterioridade e para pedir ajuda na identificação, ficando assim a conhecer a avifauna que me rodeia.

Perdi meia hora de viagem, mas ganhei mais uma história e fiquei de coração cheio. E ele, ganhou uma nova vida. Tão simples como isso.

Como não foi o primeiro e suponho que não será o ultimo, posso testemunhar que na maior parte das vezes, os pássaros que embatem nos veículos não morrem. Ficam em choque e apenas precisam de uma ajudinha para que os voltemos a ver a esvoaçar pelos campos, onde pertencem.

Nós temos conhecimentos para tal e podemos ajudar. Então, porque não o fazemos?

Porque a nossa sociedade se tornou tão fria e tão cruel que optamos por dizer: – Era apenas um pássaro. Decerto que morreu.

Mas não vamos verificar. A sociedade age da mesma forma em relação a todos os outros, os próximos com os quais deixamos de nos importar.

Por isso abandonamos os idosos, as crianças, os animais e tudo o que nos liga à terra e à natureza. Somos crianças cruéis a brincar. Não a viver.

E onde isso nos leva?

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