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DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Costuma-se dizer, que não se deve meter a “foice em seara alheia”. Ainda para mais, quando falamos de um homem que pretende falar de mulheres. No entanto, e porque a data é demasiado importante, eu vou arriscar a fazê-lo…

Comemora-se amanhã o Dia Internacional da Mulher.

A data foi instituída oficialmente no dia 8 de março, pasme-se, apenas nos anos 70 e na sequência da ONU ter designado o ano de 1975 como o Ano Internacional da Mulher. Pretende-se prestar homenagem nesta data a todas as mulheres, bem como lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, independente da sua nacionalidade, etnia, língua, cultura, economia ou política.

A data foi escolhida como forma de homenagear as mulheres operárias têxteis russas que neste dia se manifestaram fazendo uma greve contra a fome, o Czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial. Os protestos foram brutalmente reprimidos, tendo de alguma forma precipitado o início da Revolução de 1917. Assim e desde a Revolução de Outubro, este dia era comemorado como o dia da “heroica mulher trabalhadora” tendo sido adotado a partir do ano de 1945 pelos países do chamado “bloco comunista”. A comemoração deste dia nesses países, foi transformada num momento de propaganda partidária, uma vez que de alguma forma se celebrava o papel da mulher, mas dentro dos padrões em que ele estava instituído naquela sociedade e não naquele que deveria ser – a igualdade de género a todos os níveis. Talvez por isso, estas comemorações tenham sido a determinado momento um pouco ridicularizadas. Há, no entanto, países que ainda hoje comemoram este dia fazendo dele feriado – a Rússia, a Bielorrússia, a Macedónia, a Moldávia e a Ucrânia.

A primeira celebração deu-se a 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, tendo sido seguida de manifestações e marchas em outros países europeus nos anos seguintes, nomeadamente durante a semana de comemorações da Comuna de Paris (o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante a invasão por parte do Reino da Prússia), que ocorriam no final de março. As manifestações uniam o movimento socialista (que lutava por igualdade de direitos económicos, sociais e trabalhistas) ao movimento sufragista (que lutava por igualdade de direitos políticos). Estas comemorações foram frequentes nas décadas de 10 e 20, tendo posteriormente caído no esquecimento e sido recuperadas apenas na década de 60, através dos vários movimentos feministas.

A grande questão é, será que ainda hoje numa sociedade que se diz evoluída e moderna, ainda faz sentido comemorar data? A resposta é óbvia. Sim. Primeiro, porque a evolução e a modernidade ainda não chegaram a todos os países do mundo, o que faz com que ainda se cometam um sem número de atrocidades contra as mulheres. Em segundo lugar, porque mesmo nos países que se dizem desenvolvidos ainda falta mudar muitas mentalidades para que o papel da mulher seja reconhecido na totalidade, com as diferenças inerentes às caraterísticas de género, mas respeitando os verdadeiros princípios da igualdade de oportunidades e igualdade de tratamento.

Talvez, assim, um dia seja possível abandonar (por exemplo) as quotas que mais não fazem do que “obrigar” a que a igualdade de género seja uma realidade, quando apenas o mérito e a competência deveriam valer no reconhecimento pessoal e profissional de uma pessoa.    


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