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DESNUTRIÇÃO HOSPITALAR: A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PARA UMA INTERVENÇÃO ATEMPADA

A desnutrição ainda não é encarada como uma prioridade, nem tão-pouco como um problema.

Os hospitais são estruturas complexas e dispendiosas que promovem cuidados médicos, cuidados de enfermagem, cuidados nutricionais, fornecimento de medicamentos, fornecimento de camas e o fornecimento de refeições adequado à patologia do doente tendo em vista a recuperação da sua saúde.

A alimentação equilibrada é um dos recursos vitais para o restabelecimento dos doentes, e a dietoterapia tem um papel importante na recuperação e conservação da saúde. A desnutrição é um problema prevalente no mundo e um grande peso para os doentes, para a família, e para os cuidados de saúde.

Apesar dos avanços científicos registados, a desnutrição ainda não é encarada como uma prioridade, nem tão-pouco como um problema.

O rastreio do estado nutricional do doente deverá ser realizado no momento da admissão na unidade hospitalar. Um procedimento simples e eficiente que permite avançar para um diagnóstico precoce e para uma consequente intervenção atempada e direcionada.

A nutricionista e professora universitária Teresa Amaral realizou um estudo em seis hospitais nacionais e mostrou que um em cada três doentes se encontrava desnutrido no momento da admissão hospitalar, e que esta situação poderá estar relacionada com piores resultados da doença e/ou do seu tratamento, nomeadamente: aumento dos custos com tratamentos; aumento do tempo de internamento; aumento da probabilidade de complicações e aumento da morbilidade e mortalidade.

Dentro do hospital, o Serviço de Nutrição e Alimentação é responsável por assegurar o fornecimento das dietas adequadas ao doente. A dieta hospitalar deve garantir o aporte adequado de nutrientes ao doente hospitalizado, permitindo preservar e/ou recuperar o seu estado nutricional através do seu papel coterapêutico em doenças crónicas e agudas.

Nesta lógica, o nutricionista e o dietista devem ter como preocupação maior o estado nutricional e biológico do doente, sem descurar uma intervenção com humanismo e dedicação, formando assim um ciclo harmonioso entre a equipa de saúde, familiares e o próprio doente.

O dever dos nutricionistas e dos dietistas em fornecer uma alimentação segura mas também nutricionalmente adequada esbarra, frequentemente, com as próprias expectativas do doente e que poderá dificultar o tratamento por parte destes profissionais.

Seria importante aumentar o conhecimento dos médicos e dos enfermeiros em matéria de nutrição, nomeadamente para facilitar o discurso com nutricionistas e dietistas. Apesar de os médicos reconhecerem a importância que existe em terem nutrição nos seus currículos, verifica-se que tal facto não corresponde à realidade.

A formação médica e dos enfermeiros não é ajustada à prescrição alimentar, pelo que esta prescrição idealmente deveria ser feita sempre por nutricionista e dietistas. Contudo, o seu insuficiente número nos hospitais torna tal solução não exequível.

Os doentes são mal informados acerca das dietas que lhes são prescritas, daí que muitas vezes não lhes acedam devidamente; a falta de “mimos” por parte dos profissionais de saúde e auxiliares, que não conseguem cativar os doentes a comer.

Segundo o INE, cerca de 20% da população, em 2011, tinha mais de 65 anos. Em 2050, o número de idosos da União Europeia irá aumentar 70% e o grupo com mais de 80 anos irá aumentar 170%.

Com o aumento da prevalência da desnutrição e do número de doentes crónicos internados é importante que os hospitais melhorem a qualidade dos seus cuidados nutricionais e que se definam indicadores para avaliar a alimentação hospitalar, por um lado, e a intervenção nutricional, por outro.

Frequentemente, as expectativas do hospital colocam os Serviços de Nutrição e Alimentação num patamar inferior ao de outros serviços de suporte.

É importante melhorar os serviços hoteleiros e uma correta escolha do método de preparação e distribuição de refeições, nomeadamente o cook-chill (cozinhar-arrefecer) versus cook-serve (cozinhar-servir).

cook-chill é um sistema de produção de refeições em que se promove uma descontinuidade entre o momento de produção e o momento do serviço, por intermédio de um processo de arrefecimento rápido do alimento. Este método de arrefecimento permite que os alimentos sejam conservados a temperaturas de refrigeração por vários dias, sendo possível gerir a sua utilização de uma forma muito mais facilitada do que num sistema tradicional de cook-serve, ou seja, cozinhar e servir diretamente.

Há vantagens e desvantagens em cada um destes sistemas, pelo que deverá ser a instituição hospitalar a considerar os benefícios e a inoportunidade de cada um dos sistemas de acordo com as características dos seus serviços. Os hospitais continuam com dúvidas e falta de consenso acerca dos métodos de confeção mais equilibrada em benefícios para o doente.

In Público

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