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“O POUSO DA PALAVRA, O VOO DA OPINIÃO”

 Conheci o Ricardo e concomitantemente a Bird Magazine no final da inauguração da exposição Alma Tua, no Ciclo Cultural da UTAD, no final de 2013. De telemóvel na mão, no pequeno gabinete da professora Olinda Santana, encostas do Alvão ao fundo e a minha imaginação a descansar, como uma pequena ave, nos ombros de mestre Torga, o estudante Ricardo direcciona uma entrevista para uma revista online, um blogue, um espaço de opinião e um sonho, tudo ao mesmo tempo. Naquele vinhedo de amadorismo, de um lado autores a contorcerem ideais em solo arável, mas infértil como se veio a verificar posteriormente (ah, este míldio político), do outro lado o entrevistador como uma casta que tenta vingar pelo factor correcto, a qualidade interior do que se tenta desconstruir no pensamento e pensar por si mesmo. O tempo passou, as caras facearam as imagens, as palavras afundaram-se no chão e as estações foram estacionando o pó sobre tudo o que valia (mas já não vale).
Em 2014, descendo as encostas virtuais das serranias desta aldeia global, surge o convite de quem se mostrou sempre acompanhador dos meus trejeitos escriturários (ou como nos podemos apagar a nós mesmos escrevendo nas mãos as paisagens daquilo que nos faz sermos passageiros, desacordadamente, iletradamente, numa enciclopédia de um só tomo, de uma só página, em branco). Aceitei o convite com a premissa de escrever sobre aquilo que sei, ou seja, nada. O Ricardo aceitou e foi-me incentivando, ora dando um retorno positivo, ora solicitando temas específicos para determinadas ocasiões e em bem hora o fez, o convite e as sugestões. Desde Outubro de 2014, quando saiu a minha primeira crónica, muito se tem emoldurado nas paredes deste muro. onde me abrigo, de forma regular e hoje, coincidência matemática que tem tanto, ela, a matemática, de sagrado como profano, como as palavras, esta é a crónica 150, cento e cinquenta. Bolas, cento e cinquenta! Indago-me o que me pedirá a vida posteriormente em troca destes cento e cinquenta desabafos, desconstruções, contrições, percursos expressivos e recursos gavetais, indagações e opiniões, vazios e silêncios orbitais. Mesmo que não queira olhar para os números, eu que me habituei a viver infinitos eternos a cada segundo que passa, não posso deixar de olhar com orgulho para este trabalho, amador por ser feito por quem ama o que faz, por uma equipa de pessoas que me habituei a ler e, do alto da caladura, conhecer no lançamento do primeiro volume de crónicas.
Indissociáveis, o Ricardo é a Bird Magazine, e acima de pontos de vistas, está de parabéns por aglomerar talentos, temáticas, tristezas e alegrias, de quem escreve e lê, de quem cega e vê, de quem pensa com Pê. Ainda que me soe, ultimamente, apenas quinzenalmente, sinto diariamente o prazer de coleccionar palavras no ninho para, posteriormente, a cada salto quinzenal do calendário, poder levar a página no bico e voar-me.
Hoje, ao contrário do slogan da Bird, deixo ficar serena a opinião para fazer voar a palavra ao encontro dos leitores, dos cronistas e, claro, do Ricardo dizendo: obrigado.

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