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OS PERIGOS DO ETNOCENTRISMO

A vida deu-me a possibilidade de viajar, conhecer países, carimbar o passaporte com selos exóticos e com vistos originais, conhecer pessoas e culturas diferentes.

Fiz a minha primeira viagem sozinha tinha 16 anos. Por ter ganho um concurso de jornalismo juvenil, fui até ao Parlamento Europeu e a vários pontos de França. Bastou para que as viagens ficassem a fazer parte de mim, da minha identidade e da minha forma de ver o mundo, uma forma maior, onde muitas pessoas diferentes e sítios diferentes têm lugar.

E claro, eu também fiquei a fazer parte do ADN dessas pessoas e lugares, porque por onde andei, coloquei sempre um pouco de mim.

49 países visitados, um sem número de corações que me tocaram e alguns que toquei de volta.

Desde EUA à Indonésia, Kuwait a Angola, Portugal à China, fui palmilhando com a sede que os olhos e o coração pedem, cada passo que podia dar.

Sou de falar.

Falo com as pessoas à minha volta: a minha vizinha do lado (Dna. Ludovina), o senhor que se senta ao meu lado no comboio, no aeroporto… Falo!

Adoro encontrar Portugueses nos lugares onde vou. Gente brilhante que viaja o mundo à procura de propósito e respostas. Adoro pessoas que se questionam e questionam o mundo.

Encontram-se outros Portugueses, porém que, a cada passo fora do país nos dizem:

– “Em Portugal a comida é que é! Não tem comparação!”

– “As nossas cidades são mais bonitas”

– “As nossas pessoas mais simpáticas”

E por aí adiante…

Adoro o meu país. Adoro Portugal que conheço como as minhas mãos nas suas pequenas grandes coisas. Viajo por Portugal com frequência e admiro Portugal e os Portugueses como ninguém. Agora questiono-me: porque comparamos sempre o incomparável?

E assim somos etnocêntricos. Consideramos as nossas pessoas, nacionalidade, cultura mais importante, distinta que as demais.

Não são só os Portugueses que são etnocêntricos. Tantas pessoas pelo mundo o são.

Padeci deste mal algum tempo quando comecei a viajar, até mesmo dentro do nosso país, mas cedo me curei.

Um dos perigos do etnocentrismo (e não vou abordar os mais radicais) é o não estarmos de coração aberto para receber uma nova cultura e assim as nossas viagens não passam de selfies ou fotos tiradas em monumentos de relevo para publicar numa rede social qualquer.

Com isto não estamos abertos para receber a cultura como ela é, sem a compararmos com a nossa, faz com que tudo seja menor e a pressa de chegar a casa maior.

“Acho o leste da Europa muito parecido!” ou “Roma é mais imponente que Paris”. Está tudo em nós. Cada cidade uma história, a cada história uma experiência e a cada experiência crescimento pessoal.

E é isso. Cresça sem comparações, cresça na individualidade da nossa cultura e da cultura do outro, cidadão, indivíduo, ser humano, único!

Já agora, qual é a sua próxima viagem e descoberta cultural?

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