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REVENGE PORN – PORNOGRAFIA POR VINGANÇA

 Revenge porn, a pornografia de vingança é o compartilhamento de uma/várias foto(s) ou vídeo(s) de teor privado e sexual de outra pessoa, geralmente por um(a) ex-companheiro(a) que não se conformou com o término da relação (entenda-se que falamos de amizades mais intimas, namoro, casamento), sem o consentimento da pessoa (vítima) na imagem/vídeo, bem como, publica os dados da pessoa lesada.

A partilha pode ser online quanto offline, e compartilhando imagens eletronicamente ou de maneira tradicional. Por isso inclui o upload de imagens ou vídeos na internet, por texto, e-mail, ou mostrando a alguém uma imagem física ou eletrónica. No entanto, a forma mais usual de partilha, nos dias de hoje, é na internet.

Tem a finalidade de prejudicar a reputação de uma pessoa, de causar humilhação ou angústia à vítima, é uma forma de vingança, como o próprio nome indica.

A pornografia de vingança é, também, frequentemente usada como um meio de chantagear a vítima a continuar um relacionamento.

Apesar da atenção da comunicação social ser relativamente recente, a revenge porn já existe há anos.

No ano de 2000, um pesquisador italiano identificou este novo género de pornografia, onde imagens explícitas de ex-namoradas eram compartilhadas em grupos sociais.

Em 2008, surgem os primeiros sites e blogs completamente dedicados a este tipo de pornografia. E, em 2010, a primeira pessoa foi presa por partilhar pornografia de vingança na Nova Zelândia.

Este é um fenómeno que ocorre entre pessoas de todas as faixas etárias, desde crianças a adultos. No entanto, os incidentes mais comumente relatados vieram de adolescentes até a passagem para a idade adulta, cerca de vinte e poucos anos.

Relativamente às vítimas:

Pode ter consequências devastadoras para as vítimas e ter um impacto severo na sua saúde mental e bem-estar.

Dos relatos conhecidos, estas referem ter muito medo de perseguidores, revelam ansiedade e ataques de pânico. Sendo que mais de 85% das vítimas vivenciam um sofrimento emocional grave.

Sendo que nestes casos específicos, a ansiedade tende a aumentar, e por isso, em alguns casos, termina em suicídio, pois não é só o seu corpo que está exposto, mas também a sua identidade, e o seu “eu”, exposto à família, aos amigos, a todas as pessoas com quem se relacionam socialmente, e para todos os que nem sequer conhece.

Isto porque as imagens estão na internet e é impossível retirá-las todas, após partilhas e downloads, e o sem fim de possibilidades que a internet proporciona aos seus utilizadores, situação esta que provoca extrema ansiedade à vitima, pois essa vítima não tem o controle de quem vê essa imagem de si mesma.

Originalmente, a pessoa confiou na outra o suficiente, até porque num relacionamento há um acordo implícito de confiança, para se deixar fotografar ou filmar conteúdo tão íntimo, confiando na boa-fé do outro.  Uma violação da confiança como essa pode deixar uma cicatriz tão profunda que pode comprometer futuros relacionamentos.

Acresce, aos efeitos emocionais atrás descritos, o efeito nocivo que tem na vida profissional da vítima. Uma simples pesquisa do nome da pessoa, visto que este é divulgado pelo indivíduo, aquando da publicação do material, revela rapidamente essas imagens explícitas, custando a muitas das vítimas o seu trabalho e impedindo que outras pessoas sejam contratadas.

Relativamente à pessoa que publica:

É uma forma de sentir poder sobre a pessoa que acabou o relacionamento, tendo consigo uma “arma” para a forçar a reatar o mesmo.

Há também quem a faça logo após o término da relação, por estar com o ego ferido pelo dissabor do fim indesejado da sua relação.

Serve a Revenge Porn para mostrar que o(a) outro(a) não pode abandonar a relação de forma impune.

Normalmente, esta pessoa faz a publicação quando percebe que não haverá retorno no relacionamento, ou quando descobre que a outra pessoa já está num novo relacionamento, fazendo-o por ciúmes, com intenção de humilhar e na tentativa de que o novo relacionamento termine.

Este é um crime previsto no nosso Código Penal, na parte especial, dos crimes contra a reserva da vida privada, mais especificamente:

Artigo 192.º – Devassa da vida privada

       1 – Quem, sem consentimento e com intenção de devassar a vida privada das pessoas, designadamente a intimidade da vida familiar ou sexual:
b) Captar, fotografar, filmar, registar ou divulgar imagem das pessoas ou de objectos ou espaços íntimos;
é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 240 dias.

O conselho não pode ser não confiar, pois esse é o alicerce de uma relação, mas pode-se confiar com prudência, e se algum dia for vítima de ameaça ou deste crime, apresente queixa, pois a probabilidade de a pessoa o praticar é enorme.

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