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MEU PORTUGAL

Portugal, a ocidental praia lusitana. Já assim Luís Vaz de Camões apelidou este país. Ou também podem lembrar Portugal como sendo o “rosto da Europa”- designação dada por Fernando Pessoa na obra Mensagem. Em tempos mais modernos, podem também conhecer Portugal como o país do bom vinho, ou do bom calçado. Ou talvez voe por aí um rumor de que somos o país onde se gasta o dinheiro em copos e mulheres… O país com os maiores trafulhas ao poder, o país das boas praias, da gente simpática, do bom bacalhau à brás, da francesinha e dos pastéis de Belém, do grandioso CR7, da música estranha mas agradável que venceu a Eurovisão, das noites estreladas em que um fado bem cantado ecoa por entre as paredes únicas que delimitam este país tão pequeno. Pequeno, com tantas caraterísticas diferentes. Diferentes entre si e diferentes de todas as outras caraterísticas que moram em cada país que se alinha e desalinha entre mares, por este mundo fora.  É mais um país. Conhecido por coisas boas, e por outras mais sombrias. Um país que é o seu passado e o seu futuro, tal como todos os outros, mas que não deixa de ter o seu encanto invulgar.

Cada vez mais este pequeno canto da Europa é invadido por turistas. Pessoas com culturas diferentes que se apaixonam por esta cultura peculiar. Pessoas que saem da sua zona de conforto para se confortarem  um pouco neste pequeno mundo português que proporciona momentos tão revigorantes, memórias tão puras, feitas de lembranças fotografadas no cérebro, que pairam entre a nostalgia e o peso da alma que surge dos solos pisados e dos redores olhados pela primeira vez, que ficam reduzidos apenas a isso… a uma memória que desvanece como um pó. Um pó que assenta numa base segura, e que nunca é levantado, nem pelos ventos mais fortes.  Ser turista é isso. É absorver o novo ar que nos envolve, que fica em nós para sempre, ainda que com o tempo seja menos sentido.

Eu, ainda jovem, já sou feita de alguns ares diferentes. Sei que ainda vou viajar muito durante a minha vida. Percorrerei Portugal, mas também percorrerei o resto do mundo. Adoro viajar, para conhecer, para absorver a cultura que resiste nos espaços existentes entre cada pessoa que caminha sobre os mesmos locais que eu. Viajar vai sempre expor a minha pele, o meu corpo, a minha mente e a minha alma a sensações únicas. No entanto, por muitas viagens que faça, Portugal será sempre o destino no topo da minha lista. À frente de qualquer recanto paradisíaco, de qualquer avenida, de qualquer monumento arquitetonicamente perfeito ou mundialmente conhecido… Portugal é o meu destino. Está preso à minha alma. É aquele para onde sempre quererei regressar. É o único onde poderei olhar para o céu e sentir-me segura por estar em casa. Onde nunca me poderei sentir perdida. Não por conhecer as paisagens que me rodeiam, as caras com que convivo, ou os atalhos que me permitem chegar onde quero mais rápido. Não por isso. Apenas porque mais nenhum sítio do mundo me conseguirá preencher a alma como o meu país. Aquele onde nasci, onde já recolhi imensas memórias, imensas pessoas, imensos momentos.

Talvez todos nos sintamos assim em relação ao nosso país, ou talvez Portugal seja realmente especial. Talvez Portugal seja um sítio onde não exista o desapego. Não sei o que os turistas sentem ao abandonar o meu país, mas eu, portuguesa, sei o que sinto. Não só quando o abandono, mas também quando cá estou: sei que a minha única certeza és tu, meu Portugal, o maior criador da minha personalidade, aquele que nunca sai de mim, aquele onde vivo, e que para sempre viverá em mim.

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