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QUASE MORTE

 Se há coisa que me enerva é andar a passo de caracol, e ainda me enervam mais aqueles “domingueiros” que, quando andam na estrada, parece que vão a passear na avenida. Na auto-estrada, então, nem se fala, gosto de acelerar. As estradas, os carros e as motas, foram feitos para andar e é no adensar da velocidade que nasce a minha satisfação.

Outra coisa que abomino, são cintos de segurança, que me prendem e resgatam os movimentos. Os capacetes? São terríveis! Roubam-nos o sentimento de liberdade e a sensação de vento na cara, desvanece-se por completo.

Perigoso? Arriscado?

Sim é, mas pouco me importa. Quando morrer vou deitado.

O tabaco conforta-me! O cigarro, amigo de todas as horas, quando acompanhado ou na profunda solidão, é um inseparável amparo para a alma. Um dia, li numa revista que os cancros mais associados ao tabaco são o cancro do pulmão, da cavidade oral, da faringe, da laringe, do cólon, do rim, da mama e até mesmo a leucemia.

Os mesmos tipos de cancro estão associados ao álcool, aos quais se podem acrescentar o do esófago, do fígado e do reto.

Mas sabe-me tão bem o vinho à refeição, o whisky depois de jantar, as cervejinhas frescas com os amigos, as caipirinhas e caipiroskas quando a noite é de diversão e o belo Martini antes do almoço.

Sei que o tabaco e o álcool provocam doenças, fazem mal a saúde.

Sim fazem, mas quero lá saber! Quando morrer vou deitado.

E Se não morreres?

Serão os que te amam a carregar o peso em que, inevitavelmente, se tornará a tua existência.

Não lhes peças para morrer, porque aos seus olhos, perder-te, nunca será solução.

E os pais que perderão filhos?

E os filhos que perderão pais?

Julgas-te eterno ou acima dos demais?

E quem te empurrará a cadeira de rodas? Quem te acompanhará na quimioterapia, vendo-te a definhar dia após dia?

Quem te dará banho?

Quem de dará a comida à boca?

Quem te levará à praia?

Quantas viagens deixarão de fazer para cuidarem de ti?

Quantas idas ao cinema deixarão de existir porque não podes ficar sozinho?

E se não morreres?

E se um dia deixares de ser corpo e passares a ser cruz?

E se ficares vivo, deitado, imóvel, existindo?

Nota do autor: Caro leitor, o presente artigo não pretende fazer qualquer juízo de valor acerca dos comportamentos de cada um, já que o livre arbítrio deverá sempre ser respeitado. Pretende, apenas, ajudar a refletir nas nossas escolhas, que não se confinam apenas a nós mesmos, e que os nossos actos podem condicionar, de forma arrasadora, os que mais amamos!

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