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A ALDEIA QUE EM MIM HABITA – SOLDO SEGUNDO

 Quietude.

Dominante em nada, o silêncio. Certo é, se decidir nesta mesa se sentar. De bom grado sentirá o que em óssea estrutura, de ensimesmado pensamento, meu, se prolifera. Assoma-se em cadeira ainda disponível, muitas assim o permanecerão, inconstante mas certa a presença de humano ser, a impossibilidade de imunidade qualquer.

Sem imposição, a estanqueidade subtraída é ao que aqui, com voracidade, quanto baste, se medida considerada possa ser, se edifica. Adianto que, mesmo no início de tecido pensamento, nevrálgico, a gratidão sonegada em nada o é, rubricando o sentido, no frontispício de página-momento, que se estende, aproximando-nos, na distância que tende, por norma, a vingar sua limitação e acessórias ferramentas. Sintomáticas.

Sentado. Debilitado cárcere o do tempo. Marejava alma minha, capacitando-a de oposição a hostil elemento que esvaziasse o que recrudescia. Pesada a leveza que minudências diminuía. Não deixava prescrever o que em linhas atestei para comigo, e para cada um dos presentes que em palavras e silêncios significavam a afetiva imensidão que sem o saber já me ligava a gentes estas.

Sabido era o destino. Aproximado ao minuto, esquecido, também, dessa dorida sensação que é o de estar, o cais largando e sereia soando em prontidão para porto outro. Mesmo crendo que amarras lançadas serão neste que aqui vivemos, vigio-me, como que sonâmbulo, evitando anuir com a ordem das coisas que nem sempre de natural se indumenta.

Em meu colo dispus esse pensamento, esgravatando a embriaguez do momento. Acariciava-o. Adormecendo-o, pedia que despertar seu tardio se fizesse.

O instante, arbóreo, incapaz de simulacro, requeria de cada um dos presentes fértil atenção. Frequentavam-no, frequentando-se.

Mesmo delinquente para com a audição que abeiramento me permitia, focava o gesticulado, sentido braço de ferro com vento que se fizesse sentir, não diminuindo, não desnutrindo, sim reforçando laçadas dadas por marujos em comissão, mesmo que de mar apenas o inspirem em sonhos seus, longe de qualquer malagueiro, de adorno que em muito por vagas em nós criadas protela decisória ação. Em ténue limbo dispostos, bombordo-estibordo-bombordo-estibordo, de vincado cadastro, como que de prémio coroado e da sua encosta reiteradas apropinquações. Bombordo-estibordo-bombordo-estibordo. Deste, abdicamos nada. Cousa pouca certo não o é.

De pertença a singular guarnição, onde o humanismo se pronuncia de vincada forma, o contacto de pesada prancha com firme solo, desposado de qualquer oscilação, espaço limitado por vermelha e verde marcações, ou de um outro que entre proa e popa se significa, vão ocupando indefinidos postos, que bélicos não se entenda, pois combates outros existem, mas espaço algum aqui se desenvolve para barbárie tamanha, que às palavras lixivie húmus seu.

À volta da mesa, bela em muito pelo que ali, sem resiliência, em catadupa crescia, graúdos eram os sentimentos que advinham de presença minha, e de outras, importantes vos acrescento, e nunca em demasia, que pintavam uma tela de simplicidade que desnecessário seria curador algum transportá-la, de itinerária forma. Jaziam resquícios de malefícios que em metástases apodrecer poderiam firmes e saudáveis raízes.

O tempo, esse tempo, ponteiro algum ferramentas forneceria para distração dos presentes. Catraia a parcela que aldeia minha, já, me dava a conhecer. Portas abertas para o muscular de um nós que de etiquetas não vivia.

Olhando-os, à medida que, por porta em andar primeiro, entravam, sensação terna de gerais fainas em operação onde a mesa como cais recebia cabos lançados a terra e em circular disposição comunicavam. Sabia que memórias estas jamais se encaixotariam em esboçado sótão. Cada uma me visitaria em instantes que despoletaria uma intensa reação. Rendido, me sujeitaria às sinapses que nadariam nas mais diversas direções.

A emoção, consultiva, decisiva em muito, embaixatriz de existência sua, recebendo, humildemente, sempre, curioso e afeto ser em pórtico de entrada, no imediato bebendo de conjuntas memórias.

Lar este, de chaparral e de frutos seus, como que reservas de afetos armazenando, de resistência maior a adversas forças que de maledicência respiram. Abraçam-nos, abraçam-me, silabicamente, recuperando o que não se perderá dia algum. Portas são braços que, sem receio de alheio olhar, em prontidão imediata se encontram. Amadurecido campo este que não um chaparral, vários, não menos importantes, em terra entrançados pela cumplicidade do amor e amizade que não se esgotando, transborda em pratos sem definida temperatura servidos.

Tristeza alguma regada ali o era. Humidade sim, intrínseca, praticável, aceite, pela imposição do intermitente emocional que se matinha paredes- meias com a preocupação da sensibilidade de cada um.

Olhava-os.

Querendo cristalizar o espaço, em pequena bola, moldável a mão minha, colocar quadro este, que agitando-o, não neve, sim a imensidão de um espaço que dunas molda em interior parte de pálpebras, circuito então de lágrimas que a tempo seu ao exterior deste corpo darão mostras de profunda existência.

Dentro, lacrimais gotículas em formigueiro, o seu percurso cumpriam. Humedeciam as paredes que arranho com a dor de um dia impossível o reviver a presença de tão nobres seres. Sem qualquer protocolo, humanizando cada gesto, cada palavra, cada desenho que vão, de arte antiga, considerada assim pode bem o ser, sorridentemente, desenhar a aldeia que em mim construímos. Operários estes que me laboram, sem perecer.

Descendo, percorrem o que ainda desconheço de constituição minha. Espalham-se. Tilintam, tal a oscilação do terreno. Tocando, sentindo-me, em paralelas paredes. Guardo-as. Felicidade, em nada magra, as pariu. E isso me basta para significar primaveril momento.

Eles continuam num processo descompassado de aprendizagem que é esta de se ser. E nele, como em outras vezes, não poucas, como que vagueava em torno de mim. Circundava-me. Possível o era sem descurar o que afetivamente me alimentava.

Vazio o sofá, onde minhas costas voltadas sentiam que foco algum de lado esse interviria. Direto o discurso, retirando individualizante possessivo, que do momento se apropriando, o todo suplantado fosse.

Força centrífuga, mas sem pressão que não a de querer viver momento presente, que dele ainda o faço e tudo conjugo a verbal condição, ali se salientava. Imensa se alongava, certo que frio algum destronaria o aconchego que cada reagir em mim proporcionava.

O olhar que promovia mantinha-se. Cativado pelos movimentos que a chegada de outros, familiares elos, todos, despoletava, sentando-se em torno da mesa que agrega o uno que se pretende quando a simplicidade de se estar e ser se somam, tendo como produto o humano e o que em si inerente encarcera, sem associados grilhões.

Os sorrisos, que em alvoradas se desenhavam, protelavam o ir, o meu, sabendo-o próximo. Num próximo que era, em si, por si, um voltar. O eterno retorno de onde nunca se parte. Indiferença subtraída ao ensejo, em muito patrocinada pelas emoções que em nada bocejavam, antecedidas por deambulações outras, circundantes, no caminho que de órgãos locomotores inferiores se faz, abraçados pela quentura do silêncio que merecido é nesta região esta, potenciador de caminhadas reiteradas para casa. Outra. Esta.

A cada exterior saída, em posição superior a adjacente piso, separados por degraus que não contados eram, encostado o corpo a negras grades, o horizonte era recortado pela anatomia do espaço envolvente. Lares de afetos habitados, até mim estendidos, ladeados pela flora que os aconchega e pinturas outras expõem em natural galeria que foto alguma suplanta beleza que a corpo presente permitido é ensaiar. Ensaios este do ser-se, no outro, com o outro, significando existência nossa.

Alpendre. Como que a cesto-de-gávea subindo, anulados óticos instrumentos, de olhos em riste, sem acentuado foco, flutuante na densidade do espaço que, solenemente, me cumprimenta, sem espaço a vénias. Por tu nos tratamos. E nesse atuar, ver tudo onde muitos o nada professam. Voluntário desconhecimento do real. Da terra. Das gentes. O não saborear do que se nos é apresentado sem exigência alguma.

Uma vez em cesto disposto, subido o tinha alcançado, mas subindo em nada. Não permitido fora. Horizontal plano, raso, exclui qualquer possibilidade de revogar o que se semeia em tão profundo lagar. Reunidos, como que dispostos em círculo, pisando o que amadurecido querem tornar. Pés que sentem o chão que pisam, onde derramados estão os prefixos da existência.

Transportava para o interior essa suavidade, mesmo que alagado canal auditivo meu. Mas nunca em demasia. Nenhum permitiria constatação tal. Sim, facilitariam a travessia deste homem-cais. Cacilheiro o era entre as duas margens, muitas, de si. De outras, também, que o significavam quando em contacto com os que se abeiravam de sua encosta. Sereia cantava caraterístico som, ao sentir assomada aproximação de camarada que à mesa se sentava. Conferido por batida pala, cotovelo firme à altura de faróis que não os que em mar, percebemos berço nosso, num embalo que minora risco de brusco despertar contra atrito proveitoso em nada.

Palavras que não se dispersavam. Acondicionadas em comum leito, calcorreavam reflexivas rotas. A um nada opulento altar levadas eram de braço vincado com sorrisos que se desprendiam num truncado largar. O desenho permitia traços onde os movimentos, em complemento, edificavam memórias até ao presente, estendidas, como que arte de marinheiro em mar lançada. Em arrastamento. Contínuo. Até terra firme, também mar, confirmando ocasos idos.

Ali, lágrimas varriam-me, de soslaio, a tristeza. Aparecidas de porquês. Promovidas por incógnitas que sabida era sua forma de erradicação de fértil terreno. Precipícios muitos os que o corpo ao corpo confere.

Descaíram-se-lhe as pálpebras de cada emoção concomitante. Nelas me tardava. Pessoas estas não permitiam negligenciar atestado momento, batida terra nutrindo por onde passos justificam o futuro de passado vivido.

Pleno o descanso. Cerrados os olhos. Calmo não o sei. Mas se o saber quisesse, perturbado era o silêncio e o repouso em velório colocado.

Por suas amantes tomou sensações estas que por desenhadas linhas vos transmito. Em pensamentos-gaveta dispostos. Em salão nobre percorreu cada uma de suas particularidades, não protelando acessos a contíguos espaços. Importantes. Sublinhado meu.

Relevância que resguardo junto de pertences de acrescido valor em existência nunca tardia. Placenta mantida. Cordão que se estende, sem corte abrupto sinalizado. Em mim, encorpo, anexo não, cada um dos vividos ápices em torno de mesa que de comunicação vive, desligando-se de externas condicionantes que diminuem absoluto ouvido até ao ensurdecer. Dentro daquelas paredes, severidade em pluma, de queda amortecida por audição atenta, de miopias liberta.

Pele que me bronzeia pela intensidade do habitado, em humanos raios, não tardarão a salientar notoriedade junto de outros que, sem sussurro algum, questão colocarão. Resposta, a mesma. Simples. Sabem-no. Mas resposta existe. E nela, com ela, soluciono paradigmas outros que travestidos se apresentam perante desatento olhar. Não permito obnubilação alguma quando desta aldeia tratamos. A profundidade é térrea demais para que externos fatores desconsiderem o que a simplicidade não banaliza.

Sou dado a semear, fértil o que pés meus pisam. Pessoas estas as que me colhem. Me apaziguam. Cestos em braços, arregaçadas as mangas, estendidos em safra em nada sazonal.

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