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Cidadania e Sociedade

LIBERDADE PARA A LIBERTAÇÃO

 Para a semana comemora-se o Dia da Liberdade. Obviamente que com apenas 9 anos a viver numa aldeia transmontana tudo me passava ao lado. Não vou abordar a história do 25 de Abril, quando provavelmente a verdadeira e legítima história (baseada nas intenções e atos ocorridos) permanecerá para sempre nos mentores e responsáveis por ela. Todos os restantes farão apenas a sua interpretação…

Esta transição só não agradou a quem no passado detinha poder, regalias, domínio e podia exercer como lhe apetecia o seu autoritarismo, sempre abençoado pela igreja!. Todos os outros saíram a ganhar e por tal devemos estar gratos a quem corajosamente permitiu tal revolução, felizmente com poucos danos colaterais (4 civis mortos e 45 feridos). (Sabemos que as “coisas” não são assim tão simplistas e os dois anos seguintes assim o comprovaram!)

Com a publicação da Constituição da República Portuguesa ( CRP), regulamento interno do País, que já vai na sua sétima revisão (há quem diga que está prestes uma oitava), Portugal começou a “gatinhar” para a consolidação da “dita” democracia. Estavam assim definidos os principais princípios, direitos, liberdades e garantias em Portugal.

Não há dúvida que a liberdade é o direito mais profundo de cada cidadão. A liberdade de Ser! A questão a colocar é: Que significa ser livre? Ser livre é fazer o que lhe der na “real gana”? A liberdade mundial de hoje que assentou em duas guerras mundiais, irá evoluir se somente ocorrer uma 3ª guerra mundial? Que tipo de liberdade nos conduzirá a mais Felicidade?

Que relação tem a liberdade com a libertação? Qual o verdadeiro caminho da libertação? Para usufruir plenamente da minha liberdade, tenho que me libertar de quê?

Segundo H. Rohden “A verdadeira libertação do homem consiste numa definitiva segurança baseada na Verdade.” Igualmente a frase atribuída a Jesus nos diz, “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. Andamos efetivamente à busca desta Verdade?

A existir uma Verdade ela obviamente será única. Sendo única, não pode ser exclusiva de um grupo religioso, de uma cultura, ideologia ou povo! Sendo única tem portanto que ser universal, atemporal e supracultural. Mas, o ser humano como ser racional e lógico, invalida que qualquer conhecimento que possa ser considerado verdadeiro numa área intelectual seja contrariado por outra área. Tal significa que a Verdade tem de cumprir igualmente o critério da globalidade ou seja, nenhum princípio é verdadeiro isoladamente! Assim, essa dita Verdade tem de estar em concordância com as principais fontes de conhecimento, que segundo Ken Wilber, são: o conhecimento sensorial ou empírico, o conhecimento mental ou lógico e o conhecimento espiritual ou contemplativo. Realmente andamos em busca da Verdade? Mesmo?

Sem essa Verdade, andamos presos no mundo do “ego”. Andamos “viciados” na materialidade e no ter (mais do que os outros e à custa dos outros). Serão as guerras, a exploração e o domínio sobre o outro, (ser humano ou não humano) exemplo da liberdade desejada? Que fazemos com a nossa liberdade? Liberdade é muito mais do que a permissão de uma lei para fazer algo! Será que, por exemplo, a liberdade de fumar permite cumprir o artº 64 da CRP que nos diz que “temos o direito à proteção da saúde e o dever de a defender e a promover”? Basta ser legal para eticamente ser praticado? A liberdade permite-nos efetivamente caminhar para um melhor Ser, para a libertação daquilo que nos diminui. Como forjamos o nosso carácter? Hoje, evidências científicas, através da Psicologia Positiva (Peterson & Seligman) dizem-nos que o Ser humano partilha universalmente de um conjunto de “virtudes” e “forças de carácter”, que provavelmente fazem parte da dita Verdade! Algumas destas são, sabedoria, coragem, amor, integridade, bondade, compaixão, humor, gratidão, pensamento crítico, prudência, perdão, esperança, criatividade, espiritualidade, liderança, humildade, etc… Assim, usufruir da liberdade implica que o façamos recorrendo a todos estes “parâmetros” em prol do próximo. Que andamos a fazer com a nossa liberdade? Para quando a não necessidade de um código penal?

Que liberdade seja a “obrigação” de cada um de nós ser e fazer o outro mais feliz, independentemente do espaço/tempo em causa.

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