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SPEED WRITING – A CHEGADA DE UM DIA PERFEITO

 Speed Writing foi um concurso de escrita, realizado pela primeira vez em Portugal, que decorreu no passado sábado, dia catorze de abril, no Centro Comercial Alegro Alfragide.

Inscrevi-me por brincadeira, após o convite de um amigo recente,  também ele ligado ao mundo da escrita.

Sinceramente, não tinha a noção de que ia ser algo tão grandioso e bem organizado.

Espreitei a página oficial do evento, preenchi a ficha de inscrição e arrumei o assunto, aguardando apenas pela chegada da referida data.

Na  manhã desse dia, atrevi-me a sair de casa com a alegria de quem tem a absoluta certeza de que vai num instante escrever duas linhas e tentar aprender o máximo possível com quem já anda neste mundo há algum tempo.

Predispus-me a fazer-me ao caminho, não sem antes  sussurrar ao espelho, que esperava não regressar em último lugar.

Devolveu-me o sorriso de olhar brilhante e inocente alma de menina.

Mal sabia eu, que à chegada, teria de lhe murmurar bem alto e de olhos rasos de água que o inimaginável acontecera .

Conheço pouco este centro comercial e por essa razão dirigi-me de imediato ao balcão de informações  para perguntar onde se realizaria o evento.

Resposta curta e direta: “É seguir sempre em frente até lá ao fundo.”

Tal como na vida, o caminho faz-se seguindo sempre adiante independentemente das curvas e desvios com que nos vamos deparando.

Assim foi!

Percorri a distância que me separava do sonho, olhando as pessoas descontraídas que por ali dispendiam o seu tempo sem fazerem a menor ideia que há gente que ruma à curiosidade.

Chegada ao surpreendente aparato, tive de inspirar e expirar calmamente, absorvendo todo aquele mini mundo criado para tantas personagens que estavam prestes a entrar no seu mais íntimo Universo.

Detive-me a um canto à espera que se desse início ao check in.

De Speed Writing depressa se deu origem a Speed Dating!

De repente, aproximou-se de mim uma rapariga que eu não fazia ideia quem era, mas que depressa me reconheceu e cumprimentou.

– És a Sónia que escreve para a Bird Magazine? – sorriu.

– Sou… Já escrevi uns quatro textos, acho… – respondi espantada.

– Já te li algumas vezes. – voltou a sorrir.

– Ah!!! Sim?! E como é que esse extraordinário fenómeno terá ocorrido?! – pensei apenas.

Não mais nos separámos ao longo da tarde.

Estávamos a dar-nos a conhecer quando chegou perto de nós mais um membro do projeto Bird Magazine.

Raúl, Sandra e Sónia!

Pela primeira vez, reunidos pessoalmente.

Três cronistas da revista online, três apaixonados pela escrita, três desconhecidos que fazem parte dessa vasta família que nos recebe de braços abertos, Bird Magazine!

Penso que o Ricardo ficou tão feliz por nos ver numa selfie rapidamente improvisada que tem um convite para nos fazer…

Aguardemos!

Íamos iniciar a conversa sobre os textos que escrevemos para a revista, quando mais uma desconhecida, de seu nome Paula, se aproximou e disse que como não tinha vergonha de vir ter connosco, depressa nos cumprimentou e falou sobre o seu livro, escrito recentemente.

Posteriormente, foi chegada a vez da Margarida se juntar a este grupo.

Por ali ficámos…

A olhar em volta, à conversa, à espera de fazer o check in.

Como se o deslumbramento não fosse já inevitável, eis que surge uma rapariga linda e de energia contagiosamente vibrante vestida de vermelho, Sara!

Quando finalmente tudo começou, pudemos assistir ao sorteio dos nomes dos participantes que seriam distribuídos pelas diferentes rondas.

Acabámos por ficar separados, cada um numa ronda diferente.

Desta forma, tivemos a oportunidade de observar como tudo se desenrolava para cada um dos desconhecidos ali presentes e dos que tinham acabado de dar entrada na nossa motivação.

Logo na primeira ronda, fiquei com a sensação de conhecer uma das participantes.

Viria mais tarde a perceber que se tratava de Lara, uma menina do meu tempo de adolescência.

O tempo de espera deu lugar à partilha de experiências literárias anteriores e a projetos que se querem futuramente concretizados.

Através do convívio, chegou mais uma desconhecida ao grupo, Teresa, muito sorridente e simpática.

Por ali permanecemos, entre voltas dadas ao recinto, pequenos lanches, cafés e muita conversa.

Os sonhos há muito ambicionados vieram connosco participar no evento e teimaram em tornar-se visíveis, brotando sem receio, das mentes, dos corações e dos lábios de cada um de nós.

Decorrido o tempo necessário para a deliberação da equipa de revisores, relativamente aos textos vencedores de cada ronda, lá nos alinhámos.

Apesar de estarmos juntos há pouco tempo, foi com crescente entusiasmo que celebrámos com palmas a vitória dos textos vencedores.

Um após outro, lá foram surgindo a passos largos, colidindo com os corações esperançosos.

Não esperava ganhar fosse o que fosse, e por essa razão, quando ouvi pela primeira vez o meu nome, fiquei completamente surpreendida.

Olhei de imediato para vocês ainda sem acreditar.

Tive de fazê-lo mais três vezes e em todas elas lá estavam a olhar de volta para mim, sorridentes.

Também eu vos bati palmas, contente com o vosso mérito e desempenho.

Quando os nomes do texto vencedor foram anunciados, jamais supus que o meu fosse um deles.

Fiquei completamente sem ar e sem me conseguir mover.

Cristalizei naquele momento!

Limitei-me a olhar-vos completamente atónita, boquiaberta e a abanar a cabeça incrédula com o que estava a suceder.

Os vossos olhos brilhavam e os sorrisos resplandeciam.

Há impossibilidades da vida que por vezes nos ultrapassam e conseguem mesmo desafiar as certezas bem enraizadas que julgamos ter.

Bem que a Sara chamou pelos nomes das três criadoras do texto vencedor, mas inicialmente ninguém se conseguia encaminhar para perto dela.

Sob o género literário “Mistério”, o conto surgiu  iniciado  pela voz da Leonor e findou com a prosa da Lídia, tendo-me a mim pelo meio.

Nunca antes as tinha visto o que adensou ainda mais este misterioso feito.

Não sei quem são mas neste dia foram a medida certa para complementar as partes do texto onde perfeitamente encaixei o meu.

Ouvi, ao longe, a primeira participante a dar início à leitura da folha que, acredito, orgulhosamente assumia.

Passei as mãos pelo cabelo para afastar o nervosismo.

Daria continuidade ao mesmo logo de seguida.

E, de repente, lá estava eu de microfone numa mão e o texto vencedor na outra.

Mais do que nervosa estava estupefacta!

Sentia que o que estava a acontecer era um sonho e não correspondia à realidade.

Segurei nas folhas e, por incrível que pareça, a voz não falhou.

Feliz que estava, sorri ao ler as primeiras frases, quanto a mim, também as mais bonitas.

Passei por emoções muito boas nunca antes sentidas.

Há sensações que temos mas que não as conseguimos explicar por palavras.

Quando por fim me silenciei ouvi um aplauso que ecoou pelo enorme espaço e dentro da minha mente.

Os outros participantes presentes olhavam-me ali bem perto.

No piso de cima havia pessoas a passear no centro comercial que se detiveram para olhar para baixo e presentear-me com a junção intercalada das suas mãos.

Arrebatador!

O momento!

Aquele momento em que o tempo congelou e aqueceu fervente o meu coração!

Logo eu que, por vontade própria, cedo adquiri o dom da invisibilidade!

Tímida por natureza, introvertida por personalidade, gosto de observar o que me rodeia, inspirando os acontecimentos e fazendo deles histórias.

Quando a realidade ultrapassa a fantasia só pode ser bom sinal!

No meu caso, que vivo mais no mundo da fantasia que no mundo real, acaba por ser demasiado intenso, completamente brutal!

Quando tudo se dissipou e os nervos não acalmaram:

– Vamos tirar uma foto com a vencedora! – disse Raúl para Sandra.

Respondi afirmativamente e, por dois segundos, olhei em volta.

Ah! Afinal a vencedora era eu e só no segundo seguinte me dei conta!

Registos para a posteridade terminados, a Sandra teve a amabilidade de me levar a casa.

Claro está que seguimos as duas completamente eufóricas até ao nosso destino.

Estivemos quase a sucumbir à enorme vontade de abrir os vidros e gritar ao mundo que estávamos completamente eufóricas.

Subi as escadas a correr. Havia uma última pergunta a fazer.

Entrei em casa e dirigi-me ao espelho para lhe dar conta da novidade.

– Fiquei em primeiro lugar! – havia choque naquele olhar.

– Espelho meu, espelho meu, alguém mais bonito que eu, hoje? – indaguei.

– Não! – respondeu com uma torrente de lágrimas que me inundaram o coração!

Claro está, que passei a última semana sem conseguir dormir convenientemente.

Na minha cabeça assisto de forma permanente a cada um dos pormenores de tudo o que aconteceu desde o início desse dia à sua finalização.

Nem nas minhas idealizações mais audazes me teria ocorrido ter um dia tão incrivelmente perfeito!

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