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COSTA RICA – UMA EXPERIÊNCIA DIFERENTE

Numa das minhas últimas viagens pela América Latina, tive a oportunidade de visitar países como a Costa Rica, Nicarágua, Panamá, Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai. Hoje vou centrar-me na minha visita à Costa Rica, um pequeno país da América Central mas que vale a pena visitar, por vários motivos e não apenas turísticos.

Na realidade, o motivo da minha visita foi profissional, estando por isso mais focado em aspectos do dia-a-dia das pessoas e não tanto nos seus monumentos, cultura ou pelos fantásticos parques naturais cheios de vida e beleza tropical.

Com o objectivo de visitar o Banco Central da Costa Rica, fiquei instalado no centro de San José (Capital do país) onde imediatamente pude ter a sensação de estar numa cidade de estilo colonial espanhol, cheia de vida com muitas pessoas na rua a fazer compras.

Confesso que estava à espera de uma cidade mais perigosa, na realidade, nunca tive sensação de insegurança e nunca hesitei em caminhar pela cidade misturado com os locais, visitando os seus locais comerciais, de restauração e lazer. San José é uma cidade com mais de 1,5 milhões de pessoas mas parece uma cidade pequena, não tem arranha-céus, a rede de auto-estradas limita-se ao essencial sendo por isso uma cidade onde pode ser complicado conduzir. Pode assustar algumas vezes porque os taxistas tendem a ir por “vias alternativas” e isso implica passar por bairros muito pobres e aí damo-nos conta da realidade da cidade e de como as pessoas vivem.

Caminhado pelas ruas de San José, não foi difícil perceber que estamos a falar de um país relativamente pobre mas onde as pessoas sempre sorriam e, com muita simpatia, falavam comigo. Tentei perceber o motivo de tanta simpatia conversando com as pessoas locais sempre que tinha oportunidade.

Aproveitando o facto que o Banco Central fica no coração do centro histórico da cidade, no final da minha reunião, decidi ir tomar um café ao estabelecimento de referência no centro da cidade, uma cafetaria antiga que fazia lembrar os tempos do colonialismo espanhol. Tinha dois objectivos claros, queria observar as pessoas que frequentavam a zona e, se possível, falar com alguém local que pudesse dar-me uma ideia aproximada de como é viver em San José.

Estava no mês de Março e sentado numa esplanada em San José com uns 35 graus de temperatura, é um país de clima tropical onde as estações se dividem em duas: A “Sêca” (Verão) que vai desde Dezembro a Abril, e a “Chuvosa”. Esta esplanada era bem conhecida pelo seu café colombiano, que eu acedi a provar sem demoras.

Não foi difícil “fazer amigos” neste café, era notório que eu não era local e o meu sotaque denunciou-me logo como sendo estrangeiro, neste caso, um português residente em Barcelona há mais de uma década. Achei piada que imediatamente me falavam no Cristiano Ronaldo, é sem dúvida o maior embaixador que podemos ter em qualquer parte do mundo e facilita bastante para iniciar uma conversa, até porque eles têm paixão por futebol e construiram um estádio capaz de fazer inveja a muitos países. Futebol à parte, falamos também da realidade da Costa Rica.

Pobrete mas alegrete. É assim que eu poderia classificar a mentalidade dos costa-riquenhos. Por aquilo que pude perceber nestas conversas de café, a Costa Rica é um país tranquilo que vive dos Serviços e do Turismo, goza de uma plena democracia desde 1948 e tem-se consolidado como a segunda melhor economia da America Central e as pessoas têm algum poder aquisitivo. Em termos de PIB per capita, estamos a falar nuns 11.000usd/ano (metade do português).

Explicavam-me que, o objectivo de vida deles é viver em paz e sem sobressaltos, não se consideram muito ambiciosos porque são felizes com o que têm e aprenderam a viver de acordo com as suas possibilidades, e que têm a sorte de viver numa região tropical com florestas e montanhas de cortar a respiração. Lá é Verão o ano inteiro, a diferença é que podem estar em época de Sol ou Chuva.

Habituaram-se a viver assim, sabem que não há muitas oportunidades de enriquecer e então aprenderam a ser felizes com o que têm e tentam tirar o máximo proveito disso. Percebi nesse momento o motivo das pessoas serem tão simpáticas e sempre com um sorriso, sabem que isso não custa dinheiro e ajuda a viver melhor, em paz.

Confesso que senti-me um pouco como um personagem de  “Twilight Zone” (A Quinta Dimensão) da famosa série de Alfred Hitchcock dos anos 60. Aquilo parecia-me irreal pois não conseguia compreender que era possível ter esse tipo de mentalidade. Vivemos num mundo tão agressivo, materialista e onde a Ambição, muitas vezes, vale mais que os valores Humanos que quando visitas um país assim, onde as pessoas são felizes com pouco, ficas a pensar que estás num outro planeta…

Na minha próxima crónica irei falar da Nicarágua, país quase vizinho da Costa Rica e onde o panorama muda radicalmente.

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