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EUROPEUS …APESAR DE TUDO!

Evocou-se esta quarta-feira, dia 9, mais um Dia da Europa. Europa que é sempre vista como algo distante, sobretudo ao nível das suas instituições, excessivamente burocráticas, tecnocráticas, desumanas, distantes. O reflexo dessa perspectiva é a elevadíssima abstenção na maioria dos países nas eleições para o Parlamento Europeu.

Europa que acaba por ser uma inevitabilidade, não apenas geográfica, mas politica e sentimental. Momento para falar de nós, obviamente!

O balanço de mais de três décadas de experiência europeia por parte dos portugueses, traduz-se, inevitavelmente, por aspectos positivos e por aspectos negativos.

Hoje em dia, a realidade portuguesa não tem nada a ver com a que caracterizava o país em 1985. Está inquestionavelmente melhor, mais modernizada, mais avançada, mais próxima da média europeia, embora ainda bem distante dela.

A entrada no então mercado comum europeu espicaçou muitos orgulhos nacionais, suscitou imensas dúvidas e apreensões, como acontece perante tudo o que é novo e diferente. Nunca sabemos se vamos para melhor ou para pior.

Ao longo deste período, há aspectos visíveis da modernização e que têm a ver com o apoio da Europa: as acessibilidades rodoviárias são os que mais chamam à atenção. O território está hoje rasgado de lés a lés, com excelentes auto-estradas e itinerários complementares, impensáveis há décadas. É sinal evidente de melhoria da circulação de pessoas e bens, que contribui decisivamente para o desenvolvimento da economia, para a coesão territorial e para o progresso do país.

Negativamente, podem referir-se o desmantelamento de sectores anteriormente vitais para o país, como as pescas, a marinha mercante e a agricultura. A entrada na União Europeia correspondeu à desarticulação e ao quase desaparecimento das actividades piscatórias, pelo menos as de pequenas dimensões, num país com uma imensa costa e que sempre viveu das coisas do mar. Também a agricultura praticamente definhou. Paradoxal e lamentavelmente, ao sabor de decisões estranhíssimas e incompreensíveis das autoridades comunitárias, que ora financiavam a plantação de vinhas ou pomares, ora custeavam o seu arranque. Muito dinheiro que por aí circulou, em poucos bolsos, numa altura em que o controle não era a preocupação maior.

Em causa, em ambos os sectores, estão os grandes empórios económicos a ditar as regras dos países mais ricos, sobre os mais pobres, subsidiados para não produzir, o que não deixa de ser escandaloso.

A entrada na Europa foi também marcada por outros aspectos. Por exemplo, a livre circulação de pessoas e bens (Espaço Schengen), permitindo viajar pelos vários países europeus apenas com o bilhete de identidade, sem necessidade de parar nas alfândegas para mostrar o passaporte que tantos dias levava a tirar. Por exemplo, na área da educação, o acesso ao ensino superior deixou de ser exclusivo das elites. Bolonha permite licenciaturas e mestrados em menos tempo, “harmonizando o ensino superior”. Obviamente, a acumulação de diplomas nem sempre corresponde a um maior acesso ao mercado do trabalho.

E por falar em mercado de trabalho, a abertura das fronteiras permite mais facilmente procurar emprego em outros países, o que hoje é uma prática comum.

A entrada na Europa significa também a garantia de um espaço de democracia e de paz no território comunitário, embora a prática nem sempre seja cristalina. As instituições comunitárias apresentam cada vez mais poderes, no sentido da coesão europeia, embora, em paralelo, a descredibilização dos partidos políticos tradicionais não augure nada de positivo, urgindo repensar a sua essência e o seu modo de funcionamento.

Hoje em dia, sobretudo para os jovens, há mais oportunidades, mas também mais competição, numa Europa mais viajada, mais evoluída, mais qualificada.

Os grandes problemas continuam a ser, contudo, em todo o espaço europeu, os relacionados com o desemprego, a crise económica, a emigração e os refugiados.

São estes aspectos negativos que fazem ressurgir, aqui e ali, os temores e as resistências ao projecto europeu, que, apesar de todo este percurso, ainda continua algo distante do nosso dia-a-dia e das nossas almas. Os portugueses continuam a prezar o seu fado, o seu folclore, o seu artesanato, as suas artes, a sua literatura, o seu futebol, a sua identidade, enfim. Que pouco europeias são, convenhamos. Mas é nessa diferença enriquecedora que está a pujança do “ser europeu”. É nela que se constrói a força que é necessária para vencermos o futuro.

O “ser europeu” é um pouco uma inevitabilidade para todos os portugueses. Algo a que não podemos escapar, custe-nos muito ou pouco.

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