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MINHA MÃE – MEU UNIVERSO

Desde sempre que a minha mãe é o centro do meu Universo.

Dotada de um conhecimento estranhamente adquirido, como que por artes mágicas, desde o dia do meu nascimento, usufruo de tão nobre sabedoria até aos dias de hoje.

As mães são seres raros e insubstituíveis.

Ora fortes, ora frágeis.

Ora chorosos, ora indestrutíveis.

Por vezes zangam-se e ralham connosco.

Tenho tantas saudades de ouvir um bom ralhete.

Os melhores de todos são aqueles que sucedem à chamada bem audível da nossa minúscula pessoa com o recurso ao uso dos dois primeiros nomes.

Há tanto tempo que não ocorre que deixou saudades.

Quem nunca ouviu os seus dois nomes próprios soltos no eco de uma casa desarrumada, não sabe o que é temer pela própria vida.

Porém, rapidamente o milagre da arrumação instantânea acontece como se nada fosse, e voltamos a ser crianças angelicais.

As mães são seres humanos com superpoderes de outro mundo porque os desta existência já elas dominam com facilidade até de olhos fechados.

As mães operam o nosso diminuto coração com o poder da multiplicação.

Multiplicam afeto, amizade, carinho, compreensão.

Escondem preocupações, medos, angústias e outras sensações.

Têm-nos um total completo amor incondicional.

São dominadas por crenças irracionais que se tornam verdades absolutas.

Acreditam que somos os bebés mais lindos do mundo embora tenhamos nascido todos enrugados audivelmente irritados.

Acreditam que vamos conseguir ultrapassar os obstáculos com que ao longo do caminho somos brindados.

Creem que tudo sabemos e conseguimos porque somos jovens e corajosos, mas muitas vezes desconhecem que são elas a nossa verdadeira força motora.

Na infância fazem-nos acreditar que os monstros não existem.

Acalmam os nossos pesadelos com cantigas de embalar quando os mesmos persistem.

Perante a nossa infantil inocência,  juram a pés juntos que os fantasmas não passam de velhos lençóis ou desenhos animados, e que os armários apenas servem para guardar as roupas que trinta anos mais tarde nos hão de envergonhar nas fotos.

Quando crescemos aconselham-nos a evitar esses mesmos monstros com que nos deparamos na vida.

Acalmam as nossas angústias e recomendam não nos deixarmos ir no embalo da ferida.

Perante a inocência entretanto perdida, juram-nos que juntos enfrentamos os fantasmas inquilinos sem voz, e que as gavetas das nossas mais profundas emoções se hão de voltar a abrir para o espaço, dentro e fora de nós.

Porque às vezes a respiração desafina.

Porque às vezes o coração sai do compasso.

Porque às vezes choramos em surdina.

Porque às vezes somente nos falta um abraço.

A minha mãe é como um mapa que me guia ainda que por vezes nem mesmo saiba o caminho.

Não sei como o consegue mas tem sempre razão.

Quando não a tem insiste porque está sempre certo um materno coração.

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