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NICARÁGUA: UM PAÍS COMPLICADO

Na última crónica, tive oportunidade de partilhar a minha visita à Costa Rica, um pequeno país mas com uma população feliz, simpática, que sabem os seus limites e sem grandes problemas sociais.

Da Costa Rica fui para a Manágua, capital da Nicarágua. A diferença foi dramática.

A minha chega à Nicarágua foi brindada com um calor sufocante num aeroporto que fazia antever o que me esperava nos dias seguintes: a Desorganização.

Chegar à cidade ao fim da tarde, deu-me a oportunidade para apanhar a “hora de ponta” no tráfego de Manágua, uma pequena cidade de 1 milhão de habitantes. Digo pequena porque assim parece, quase toda a gente vive em pequenas casas térreas construidas, muitas vezes, com recurso a materiais existentes nas proximidades, também conhecidas como favelas, ou “barrancos” como lhe chamam localmente.

Chegado ao centro de Manágua, era claro que a cidade tinha dois mundos distintos: os subúrbios onde moravam as classes mais baixas e o centro onde existiam algumas ruas destinadas às classes mais beneficiadas da Sociedade nicaraguense, normal, até aqui.

O hotel era um 5 estrelas de uma reconhecida cadeia hoteleira, mas saíndo do hotel notava-se a dura realidade: As pessoas com parcos recursos e muitas delas sem emprego, limitavam-se a fazer o seu melhor para viver dignamente. Não é o meu objectivo denegrir ou falar mal deste país, pelo contrário, mas é importante saber o contexto da Nicarágua e da dura realidade que aquele país atravessa neste momento, prova disso, as recentes manifestações no 1 de Maio que culminaram com 30 mortos nas ruas, entre as vítimas, um jornalista que cobria a manifestação.  Sim, os ânimos estão bastante exaltados pela precária situação social que o país atravessa.

Um país pobre em que o PIB per capita não ultrapassa os 2000€/ano (ou seja, um nicaraguense ganha em média uns 158€/mes) e pouca proteção social dispõe, não se pode esperar que a sua população viva alegre e feliz. É normal e compreensível. Manifestaram-se por necessidade, não por ideologías políticas.

A minha visita ao Banco Central da Nicarágua foi, provavelmente, a visita profissional mais surreal que fiz até hoje. Eu esperava que o Banco Central, como normalmente acontece, estivesse no centro da Capital e num edifício nobre ou, pelo menos, emblemático. Mas não foi nada disso que aconteceu… em vez de dirigirnos para o centro da cidade, tivemos que ir no sentido inverso, ou seja, para os subúrbios. E foi lá que, no meio de um bairro bastante pobre que nem estrada asfaltada tinha, encontrei o Banco Central. Não fosse a confirmação do taxista em como era o Banco Central e eu pensava que estava a chegar a uma prisão de alta segurança.

Era um edifício muito parecido ao de uma cadeia, murada com guaritas onde seguranças armados “até aos dentes” nos recebíam com os olhos. Em frente à entrada principal e do outro lado da estrada em terra batida, havia um bairro de casas residenciais muito pobres. Não vou mentir, fiquei um pouco chocado com o que vi, esperava ver um país pobre  mas não esperava esta pobreza generalizada.

Dentro do Banco correu tudo muito bem e fui extremamente bem recebido. Voltei ao hotel no mesmo táxi do hotel que tinha ficado à porta esperando por mim.

Depois deste episódio, admito que fiquei sem vontade de ver mais do mesmo pelo que optei por trocar o passeio pelo centro da cidade por uma visita a um vulcão activo a uns 60kms de Manágua.

Não preciso descrever o passeio porque é fácil imaginar o quão fantástico foi poder entrar na cratera de um vulcão activo e ver a sua lava, o cheiro a enxofre, como que lembrando-nos que afinal somos tão pequenos perante a Mãe Natureza. Mas posso descrever que achei caricato que este Parque Natural tinha entradas controladas (apenas permitem a permanência de 30 veículos no parque, pelo que é obrigatório esperar que alguém saia para poder entrar, o motivo é simples: Em caso que o vulcão comece a expelir pedras e lava, a estrada deve estar descongestionada para facilitar a saída imediata dos automóveis) mas, ver uma placa na entrada deste Parque Natural com o símbolo da União Europeia em que explicava que a construção desta estrada e Parque tinha sido financiado pela UE, causou-me alguma estranheza.

Estranheza porque estamos a falar em financiar uma obra que não é social (é turística), e porque é um país que tem tanto por onde se pode ajudar de, forma útil, que deixou-me sérias dúvidas se o critério foi realmente o melhor.

Na próxima crónica irei falar da minha visita ao Chile, um país evoluído com o melhor poder aquisitivo de toda a America Latina.

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