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PERDIDAMENTE FELIZ

O tão ambicionado dia chegou!

Surpreendente como do ontem se fez hoje e da noite brotou um dia de sol radiante acompanhado de uma deliciosa temperatura amena.

Estávamos em março e de repente era necessário escrever vários versos para poder participar em antologias e colectâneas.

Nem me recordo ao certo quando foi a última vez que escrevi um poema de minha autoria por vontade própria…

Na realidade, até me lembro…

Mas faz já tanto tempo que parece que foi ontem quando retorno ao baú das minhas inesquecíveis memórias.

 Vinte anos não apagam o que a lembrança teima em despertar.

Anos noventa.

Escola secundária.

Uma biblioteca ao centro e lá dentro um adolescente.

Passava lá a maior parte do tempo.

Muito estudava ele, pensava eu, nas inúmeras caminhadas pelo corredor fora.

A toda a hora.

Repetidamente, um dia e depois outro.

Para ti que passavas os dias a estudar rodeado de livros…

“Afinal sempre compensou.

Entraste na faculdade no ano seguinte e não mais tive a quem endereçar secretamente os meus manuscritos.

Lembras-te daqueles poemas impressos numa folha a jato de tinta barulhento?!

Fui eu que os escrevi.

Desculpa tê-los enviado sem remetente, mas foi propositado, evidente.

No ano que se seguiu, passar por aquele espaço não tinha o mesmo encanto.

O vazio da cadeira que outrora ocupavas enchia as folhas do meu caderno de um branco imaculado.”

Assim deixei de lado este espanto de silenciosamente me expressar e me dediquei a outras formas de escrita: só estudar!

Escrever poemas…

Lá os fui redigindo, relendo, alterando, corrigindo, apagando.

Até que me pareceram finalmente finalizados!

Enviados.

A sorte lançada.

A resposta tão aguardada.

Apresentação agendada.

Lá fomos.

Num caminho sorridente, ousámos divagar sobre o que estava por acontecer visto nenhuma de nós fazer a mínima ideia.

Pegámos nos livros e entrámos na sala.

Folheámos, avidamente, as páginas e lemos as tão desejadas palavras.

Ela lacrimejou emocionada.

Eu gargalhei incrédula.

Ali estava ele.

O livro.

Perdidamente.

Eu.

Feliz.

Dentro dele os meus poemas, pela primeira vez, palavras minhas impressas ao mundo.

De cada vez que se ouvia a expressão “vocês autores”, ganhava uma entusiasmada cotovelada por parte dela.

“Presta atenção que estão a falar contigo”, dizia radiante!

E uma sala ali repleta de gente brilhante.

De bom grado prestaria atenção se me conseguisse concentrar em tudo o que, simultaneamente, se passava.

Tinha-o na mão.

E de uma só vez se soltou, ao universo, o meu coração!

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