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Cidadania e Sociedade

REDES DE ARRASTO

 Os recentes acontecimentos em termos de redes sociais e a fuga de informação pessoal para canais que nunca deveriam ser utilizados, assim como a assunção de responsabilidades por parte do CEO do Facebook no Parlamento Europeu, são demonstrativos de um estado de alerta a que todos deveremos estar atentos.

As redes sociais, supostamente criadas para uma conexão mais forte entre pessoas, não só se encontra a desvirtuar esse propósito bondoso, como começa a ser uma forma encapotada de rapto mental e agrilhoamento individual.

Estes raptos virtuais, que sem nos apercebermos nos condicionam diariamente, colocam-nos numa posição precária, não só por permitir que toda uma imensa Sociedade Anónima tenha acesso a dados que deveriam ser pessoais e privados, mas também, porque de forma mais ou menos inocente ou involuntária, somos levados a crer em tudo que por lá se partilha.

As Fake News, assim como todo um conjunto de barbaridades e ódios esconjurados a toda a brida, tornam a sociedade mais reativa, mas de forma errada. Ou seja, a sociedade reage na rede, a algo que não tem valor ou credibilidade, soltam-se impropérios, dejetos mentais e segue-se em frente para o próximo ódiozinho.  A desumanização que as redes estão a criar é assustadora e assaz preocupante.

Para além de nos levar para patamares de isolamento nada aconselháveis a uma vida salutar e em comunidade, leva-nos cada vez mais a prescindir de verificar, de controlar a autenticidade do que por lá se diz ou faz. As redes sociais estão a contribuir, desnecessariamente, para um embrutecimento generalizado da população. Digo desnecessário porque já as Televisões, jornais e revistas, faziam e fazem esse papel de propagandear o mau, o indecoroso, o vil, apenas a bem das audiências, apenas a bem do share.

Tornou-se mais relevante fazer dos cidadãos um ente financeiro acéfalo, desviando-o do que lhe propicia capacidade crítica, de reflexão, de discussão, de intervenção, etc. Em bom rigor, foi apenas um passo em frente, porque já há muito que este era o caminho que a sociedade vinha seguindo. O conforto do ócio nunca será compatível com a exigência dos tempos.

Zukerberg só nos pediu desculpas para que tudo se mantenha na mesma, para que continuem os pequenos ódios de sofá, para que continuem as mensagens erradas a passar e para que as companhias de viagens, roupa, ou shampoo, possam continuar a fornecer milhões a esta empresa, enquanto nos vão convencendo que são os melhores e merecem a nossa compra.

Zukerberg pediu desculpa, mas não deveríamos ser nós a pedir desculpa a Zukerberg por, com o nosso posicionamento, o estarmos a sujeitar a um comportamento tão miserável?

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